O Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso da Polícia Penal, organizado pelo Instituto AOCP e realizado na primeira semana de setembro, está no centro de denúncias que apontam graves problemas na aplicação da prova. Os relatos chegaram ao Sinppenal por meio de candidatos que participaram do teste e detalharam uma sequência de problemas com impacto direto na eliminação de vários inscritos. 

 

O que mais chama a atenção é que, em nenhum dos concursos anteriores d e2-standard-4.a Secretaria de Administração Penitenciária, registros de falhas dessa natureza chegaram ao sindicato. A inserção do Instituto AOCP como banca organizadora, porém, parece ter trazido consigo um histórico de problemas que se acumula sem solução à vista.

 

A primeira denúncia envolve a alteração da ordem dos exercícios. O edital previa expressamente que o tiro de 50 metros seria o terceiro exercício da sequência. No dia da prova, ele foi alocado para ser o primeiro exercício do dia. A consequência foi imediata: quem não atingiu o índice necessário no tiro foi eliminado logo no início, sem ter a chance de realizar as demais etapas. Uma decisão que pode parecer uma simples reorganização logística, mas que funcionou como uma peneira sumária antes mesmo de o candidato poder demonstrar seu preparo completo.

 

O segundo ponto denuncia a quebra de isonomia e o risco à integridade física. Durante a aplicação, um grupo de candidatos realizou a prova sob forte chuva. A pista, encharcada, tornou-se tão escorregadia que provocou quedas e lesões, incluindo deslocamento de ombro de um dos candidatos. Enquanto esses candidatos arriscavam a segurança em uma superfície sem aderência, outros grupos fizeram os mesmos testes com a pista seca e em condições adequadas. A diferença não foi de desempenho ou de preparo, mas sim de sorte.

 

Candidato denunciou, ainda, que o teste de 50 metros foi cronometrado de forma totalmente manual por fiscais humanos, sem o uso de fotocélulas ou painéis digitais auditáveis. Em uma prova decidida por milésimos de segundo, a ausência de transparência prejudicou os concorrentes.

 

O que torna essas denúncias ainda mais preocupantes é o padrão de reclamações durante todo processo seletivo. A prova objetiva, aplicada em fevereiro, já havia sido alvo de reclamações por erros em questões que cobravam conteúdos sem previsão no edital. Depois veio o atraso na divulgação do cartão de informação do TAF, que gerou mobilização dos candidatos e exigiu cobrança pública para que a banca liberasse local, data e horário da prova física. Agora, a execução do próprio teste repete a cena: problemas que custam a aprovação de quem investiu meses de preparo.

 

No entendimento dos denunciantes, esses fatores configuram cerceamento de direito, desrespeito às normas do edital e quebra da isonomia exigida em concurso público. Diante das denúncias, o Sinppenal vai encaminhar ofício ao DGPP para solicitar informações e apuração das denúncias.

O Sinppenal oficiou o Diretor Geral da Polícia Penal comunicando das inconformidades e solicitando:

a) A instauração de sindicância ou procedimento administrativo para apurar com urgência e transparência todas as denúncias de irregularidades apontadas, especialmente quanto às condições da pista em Presidente Prudente e à precariedade dos equipamentos de barra fixa.

b) A determinação para que a banca organizadora adote medidas imediatas para sanar as falhas, garantindo a reaplicação de etapas, se constatado prejuízo generalizado, e a padronização dos critérios de avaliação e dos equipamentos .

c) A garantia de amplo acesso aos vídeos e registros das provas para que os candidatos possam exercer seu direito de recurso de forma efetiva, conforme já determinado pela justiça em casos semelhantes .

d) A publicidade integral dos resultados e dos critérios de correção de cada exercício, para que a transparência seja restabelecida

O ofício pode ser conferido clicando aqui