Terminou nesta quinta-feira o prazo para os candidatos ao cargo de Policial Penal do Estado de São Paulo apresentarem os recursos administrativos ao Teste de Aptidão Física (TAF), aplicado na primeira semana de setembro pelo Instituto AOCP. Este é certamente um dos TAFs mais contestados da história da Secretaria de Administração Penitenciária, com denúncias de prejuízo a candidatos em quase todas as praças onde a prova foi disputada.

Os relatos chegaram ao Sinppenal em série. Em Presidente Prudente, a pista dos 50 metros tinha buracos, declives e até uma lombada, tudo isso somado a uma chuva que levou muitos candidatos a escorregarem e caírem. Em São José do Rio Preto, aplicaram o TAF um dia antes da data prevista no edital. Em Bauru, os candidatos disputaram em pista com buracos, lama e mato. Em Campinas, a barra fixa foi cravada diretamente sobre terra batida, sem base de concreto, balançando a ponto de fiscais se posicionarem nas laterais da estrutura para segurar o aparelho durante a execução da prova.

A isonomia, condição básica de um concurso público, ficou comprometida. O edital previa o tiro de 50 metros como terceiro exercício da sequência. Na prática, essa ordem foi alterada em praticamente todas as localidades onde a prova foi realizada, sendo respeitada apenas em Bauru. Em uma prova decidida por centésimos de segundo, a cronometragem manual, como a registrada em Presidente Prudente, onde o fiscal gritou 7,67 segundos e a mesa anotou 7,50, e a divergência entre cronômetros nas localidades em que os painéis digitais não foram usados, amplificou o risco de erro.

Antes do TAF, a prova objetiva de fevereiro foi alvo de questionamentos por cobrar conteúdos ausentes no edital. Depois veio o atraso na divulgação do cartão de informação do TAF, que exigiu mobilização dos candidatos. E, agora, o próprio teste repetiu a desorganização. Não há registro, em concursos anteriores da Secretaria, de tantos relatos de falhas estruturais e de procedimento chegando ao sindicato como neste certame.

Diante do quadro, o Sinppenal encaminhou ofício ao Diretor Geral da Polícia Penal (DGPP) solicitando a instauração de sindicância para apurar com urgência e transparência as denúncias, a determinação para que a banca organize medidas imediatas de correção, a padronização dos critérios de avaliação e dos equipamentos, o amplo acesso dos candidatos aos vídeos e registros das provas e a publicidade integral dos resultados e critérios de correção de cada exercício. O prazo para os recursos está encerrado, e a DGPP ainda não respondeu ao ofício enviado pelo sindicato. 

O Sinppenal continua acompanhando o desdobramento dos recursos e mantém aberta a linha de comunicação com os candidatos para receber novos relatos. O sindicato reforça que a mobilização dos candidatos permaneceu o principal instrumento de pressão para garantir que o certame termine com a lisura exigida de um concurso público.