Se não bastasse a humilhação de sermos desprezados no reajuste dado às outras Polícias, de vermos que enquanto nossa progressão de carreira fica cada vez mais longa, enquanto o governo encurta o tempo de progressão para as Polícias militar e Civil.
Se não fosse suficiente que passados quatro meses de 2026 sequer temos uma definição de como será nossa promoção prevista em lei.
Se não fosse desumanizante o suficiente vermos que serviram pão mofado aos Policiais Penais do Complexo de Pinheiros.
Nesta Semana Santa vimos uma companheira de trabalho morrer em serviço, enquanto exercia sua função de manter a segurança da sua unidade.
Na verdade tivemos duas mortes, uma delas de um Policial de apenas 47 anos.Em ambos os casos doenças cardíacas levaram nossos companheiros de farda, provando mais uma vez que o cansaço e o estresse são os assassinos silenciosos que espreitam o Policial Penal sob os olhos cúmplices do governo.
Como se tudo isso não bastasse neste final de semana , vimos mais um companheiro tirar a própria vida.O quarto em quatro meses, deixando claro que nossa instituição está doente, que a pressão, cansaço, falta de amparo e desesperança chegaram a um nível fatal.
A pergunta que fica no ar é até quando vamos suportar?
Até quando vamos continuar garantindo o funcionamento de um sistema que nos enxerga como peças descartáveis?
Até quando vamos continuar arriscando nossa integridade física por um Governo que não nos respeita?
Até quando vamos nos sujeitar a seguir ordens absurdas e ilegais para “quebrar o galho” de chefes dispostos a tudo para manter seus cargos de comissão?
Até quando vamos normalizar o assédio moral e humilhações continuadas, que funcionam como a engrenagem principal da máquina de moer gente que virou o sistema prisional de São Paulo?
Enquanto reclamamos pela internet, enquanto ouvimos vozes das trevas que utilizam das desculpas mais torpes para defender o governo, enquanto nos debatemos entre nós por questões menores ou por cegueira ideológica, o governo dá risadas.
Enquanto vemos estados com salários muito maiores que o nosso se mobilizando para a luta, nos perdemos em reclamações estéreis.
Hoje estamos à beira do caos com uma população prisional que não para de crescer, enquanto a cada dia temos menos de nós nas carceragens, muralhas e escolta.
A cada dia vemos mais camaradas de farda caírem doentes, morrerem e se aposentarem, e a cada dia o caos dá mais um passo em nossa direção.
O que será necessário para acordarmos?
Estamos há um ano e quatro meses com a Polícia Penal regulamentada e até hoje não temos sequer uma carteira funcional decente, uma farda que marque nossa identidade única. A diária alimentação definida em lei é adiada sob desculpas burocráticas e a promoção que corrigiria a terrível injustiça daqueles que estão a 3, 4, 5 anos na mesma classe é apenas uma promessa que talvez se cumpra, talvez não.
Quando vamos perceber que ao não dar reajuste e aumentar o número de DEJEPS, Tarcísio quer usar nossa miséria para nos explorar cada vez mais?
Quando vamos perceber que ao atacar e perseguir os sindicatos e dialogar com pessoas de caráter duvidoso como se representassem a categoria, o Secretário busca calar a única voz que ainda se levanta em nossa defesa?
O que temos que perceber é que existe um PROJETO de sucateamento do Sistema Prisional Prisional paulista.
Privatização, terceirização e talvez a contratação de temporários fazem parte do planos do Governo Tarcísio.O que vemos não é mera antipatia com a Polícia Penal, não é falta de assessoramento ou de visão, é um projeto político muito bem definido, que depende de nossa paralisia, nossa acomodação e nosso silêncio, até que o caos se implante.
Quando o caos se generalizar, vão surgir as soluções mágicas, o dinheiro e a vontade política, envolvendo terceirização, PPPs e empresas. No final das contas os bodes expiatórios seremos nós, os Policiais Penais de São Paulo.