O secretário de Administração Penitenciária, Marcello Streifinger, confirmou na Comissão de Segurança Pública e Assuntos Penitenciários que não há qualquer previsão de reajuste salarial para a Polícia Penal. Não se trata de uma limitação orçamentária inevitável, como tenta vender o governo. É uma escolha política de Tarcísio de Freitas, tão clara quanto o desrespeito que marca sua gestão com a categoria.

Quando questionado sobre a Polícia Penal ter ficado de fora do projeto de lei de valorização das forças policiais, Streifinger tentou justificar o injustificável: "Não houve esquecimento ou descaso, Tarcísio não concedeu os 10% de aumento para a Polícia Penal por uma limitação orçamentária". A narrativa não convence nem quem historicamente apoiava o governador. 

Durante a reunião, o deputado Reis (PT) foi direto ao ponto: "Valorizar a polícia foi uma promessa de campanha de Tarcísio. Ele prometeu que as polícias de São Paulo estariam entre as 10 mais bem pagas do país, mas a Polícia Penal foi esquecida. Essa é a segunda vez que o governador deixa os policiais penais de fora dos projetos de valorização".

Até Major Mecca, um dos apoiadores históricos de Tarcísio, não conseguiu engolir a afronta. "Todos os policiais estão insatisfeitos e frustrados com a gestão do governador Tarcísio de Freitas por conta do compromisso que ele assumiu e não cumpriu. No estado de maior poderio econômico desse país, é inaceitável termos as polícias mais mal pagas. Falar que não tem dinheiro para dar aumento para polícia é porque está gerindo muito mal os recursos", disparou o deputado.

A verdade que ninguém quer dizer em voz alta é que a falta de reajuste não é negligência. É estratégia. É parte de um plano deliberado de precarização salarial para forçar os policiais penais a dependerem do DEJEP, aquele complemento de jornada extra que virou a tábua de salvação de quem ganha pouco demais para viver. Obrigar o policial a fazer DEJEP é uma forma de economizar com a contratação. 

A Polícia Penal tem 23.282 servidores para uma população prisional que cresce continuamente e deve ultrapassar 240 mil até o final de 2026. O DEJEP cobre apenas 9,2% do déficit de pessoal. Isso significa que mesmo com o aumento de DEJEPs em 2026, a carga de trabalho do policial penal será superior à do ano anterior. É uma piora constante, disfarçada de solução. 

Streifinger admitiu que o sistema é um "esparadrapo": existem 26 mil DEJEPs contra apenas 23 mil policiais penais disponíveis. Cada policial acumula, em média, um serviço extra. As DEJEPs são remuneradas e buscadas desesperadamente pelos servidores como complemento salarial necessário porque os salários base são insuficientes.