Existem homens que passam pela vida em silêncio.

Outros deixam rastros.

E existem aqueles raros que transformam a própria voz em resistência.

Willtinho Poeta não foi demitido por corrupção.

Não foi afastado por desonra.

Não caiu por improbidade, covardia ou traição aos seus princípios.

Foi punido porque falou.

Porque, em um ambiente onde muitos são ensinados desde cedo a abaixar a cabeça, ele escolheu levantar a voz. E pior — fez isso com inteligência, ironia e coragem. Usou versos como quem maneja uma arma precisa. Cada poema seu carregava aquilo que muitos sentiam, mas poucos tinham coragem de dizer.

Durante 17 anos como Policial Penal, não abandonou os seus. Não virou o rosto para os perseguidos. Não fingiu não ver as injustiças. Enquanto muitos se escondiam atrás do medo, ele escrevia.

E talvez seja justamente isso que incomode tanto.

Porque palavras atravessam muralhas.

Palavras sobrevivem aos cargos.

Palavras ecoam.

Tiraram-lhe o emprego. Tiraram-lhe o cargo público. Mas não conseguiram retirar aquilo que verdadeiramente o tornou forte: sua voz.

Uma voz que atinge o alvo com a precisão de um disparo de 5.56.

Não para destruir pessoas — mas para romper silêncios.

Não o conheço pessoalmente. Nunca apertei sua mão. Nunca dividi plantão, café ou rotina com ele. Mas há homens que a gente reconhece pelo caráter antes mesmo do encontro.

E espero sinceramente que um dia eu possa lhe dar um abraço e dizer:

“Estamos juntos, Poeta.”

Porque servidores passam.

Cargos passam.

Governos passam.

Mas aqueles que ousam falar em tempos de silêncio permanecem.

 

_Edson Moura (Policial Penal em Parelheiros)_