Um motim registrado na tarde de quarta-feira (15) no Raio 5 do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Nova Independência mobilizou equipes da Polícia Penal e do Grupo de Intervenção Rápida (GIR). Esse é o terceiro motim registrado em 2026 na unidade.

Segundo as informações obtidas pelo Sinppenal, a confusão teve início por volta das 15h30, quando presos incendiaram colchões, destruíram banheiros do pátio, arremessaram pedras de concreto contra servidores e ainda fizeram ameaças. Também foram registradas pichações com a sigla de uma organização criminosa no pátio.

Durante a ocorrência, policiais penais atuaram para conter as chamas, evitando que o incêndio se alastrasse pelo pavilhão. Diante da gravidade da situação, o GIR foi acionado e conseguiu restabelecer a ordem no local.

A atuação rápida e coordenada da Polícia Penal foi fundamental para impedir que o motim se expandisse para outros pavilhões da unidade. Após o controle da ocorrência, seis presos foram transferidos para outras unidades. Felizmente, nenhum servidor ficou ferido.

Escalada de motins
O episódio de quarta-feira não é isolado. Em abril, o CDP registrou o segundo motim do ano, quando 11 detentos se recusaram a retornar às celas por volta das 14h no Pavilhão 8, ateando fogo em colchões, quebrando paredes, espelhos e câmeras de vigilância, além de arremessar destroços contra funcionários. O Grupo de Intervenção Rápida (GIR) foi acionado e conseguiu controlar a situação. Na ocasião, os 11 detentos envolvidos foram transferidos para outras unidades.

A fórmula do caos
O CDP de Nova Independência foi projetado para abrigar 798 pessoas. Hoje, mantém 1.436 detentos, operando com 80% acima de sua capacidade. Mas o problema vai além da superlotação. As 180 unidades prisionais do Estado abrigam mais de 229 mil pessoas com um efetivo de apenas 23 mil servidores. A corporação trabalha em condições que beiram o impossível. O sucateamento é sistemático: até abril deste ano, foram registrados quatro suicídios entre servidores, dez por cento do efetivo está afastado e há um déficit de 39% de pessoal. Funcionários trabalham em unidades deterioradas, com recursos insuficientes, cercados por uma população carcerária que cresce enquanto o Estado segue negligente.