A Agência SP, responsável pela comunicação oficial do governo do estado, divulgou que a Polícia Penal de São Paulo impediu a entrada de 258 quilos de drogas e mais de dois mil aparelhos celulares nos presídios paulistas ao longo do ano passado. As apreensões, realizadas em unidades de regime fechado e semiaberto, incluíram 233 kg de maconha, 22 kg de cocaína, 2 kg de haxixe, 224 gramas de crack e 3.281 unidades de drogas sintéticas, além de 633 litros da bebida artesanal conhecida como "Maria Louca".
Segundo a agência, os ilícitos eram introduzidos principalmente por familiares durante visitas, no caso dos presídios de regime fechado, e por próprios custodiados em regime semiaberto ao retornarem de trabalho, estudo ou saída temporária. Os materiais eram descobertos por meio de revistas mecânicas, passagem por escâner corporal ou encontrados escondidos no entorno das unidades. Todos os itens apreendidos foram encaminhados para os devidos procedimentos legais, com registro de Boletim de Ocorrência e envio à Polícia Técnico-Científica.
A operação de combate a essas entradas ilegais continuou em 2024. Na chamada "Operação Retorno Seguro", focada no período de volta da saída temporária, os policiais penais já apreenderam mais de 10 kg de drogas, sendo 9,4 kg de maconha, 705 gramas de cocaína, 114 gramas de haxixe e 53 unidades de drogas sintéticas, juntamente com 50 aparelhos celulares. Esses ilícitos, geralmente localizados escondidos na área externa dos presídios, seriam recuperados por detentos do regime semiaberto durante suas atividades externas. A reportagem pode ser acessada aqui: https://www.agenciasp.sp.gov.br/policiais-penais-impediram-a-entrada-de-258-quilos-de-drogas-e-milhares-de-celulares-nos-presidios-paulistas-no-ano-passado/
O que o Governo Tarcísio esconde
A reportagem do Governo do Estado se gaba da eficiência da ação da Polícia Penal impedindo a entrada de ilícitos nas unidades prisionais paulistas adotando um tom que oculta o elemento humano, que é o grande responsável por essas apreensões.A divulgação coloca como mérito do governo um trabalho que é realizado “apesar” do Governo, pois até o momento o Governo Tarcísio tem se portado como um inimigo da Polícia Penal,
O que devemos ter em mente é que todo o trabalho de excelência executado nas unidades prisionais paulistas é feito por Policiais Penais mal pagos, exaustos, doentes e desmotivados mas ainda assim compromissados com o dever e a sociedade, apesar de um governo que efetivamente tem desmontado a mesma Polícia Penal a qual eles promovem como eficiente. Devemos lembrar que o Governo Tarcísio de Freitas é o primeiro na história da Secretaria a não contratar um único Policial Penal.
Cabe lembrar que muitas das valentes Policiais Penais femininas que atuam na prevenção da entrada de ilícitos nos dias de visita só conseguem passar o final de semana com suas famílias quando estão de férias, pois devido ao baixo efetivo são forçadas a trabalhar TODOS os sábados e domingos.
Não devemos esquecer que o mesmo Governo que aponta o trabalho dos cães na detecção de drogas e outros ilícitos, foi o Governo que através do Secretário Marcello Streifinger deu ordens para desmobilizar grande parte do plantel dos canis destruindo anos de trabalho de aperfeiçoamento genético e precarizando ainda mais a segurança das unidades.
Temos que alertar a sociedade de que o trabalho de inspeção em pacotes que chegam pelo correio para os detentos muitas vezes são inspecionados em equipamentos de Raio X sem as condições adequadas de manutenção que expõe os Policiais Penais a risco de saúde devido a radiação ionizante.
É bom ver o Governo do estado admitir a eficiência da Polícia Penal que aprendeu no ano de 2025 mais drogas do que muitas cidades do estado, porém não podemos esquecer que podemos fazer muito mais e melhor bastando para isso que o Governo nos forneça condições adequadas.
Além de nosso trabalho diuturno a sociedade paulista também deve saber que essa eficiência tem custado da vida e da saúde dos Policiais Penais, visto que o adoecimento por excesso de trabalho é cada vez maior e que Policiais Penais estão morrendo em seus postos de trabalho devido a doenças causadas por estresse e exaustão.
Frente a ameaça de colapso é necessário que o governo tome medidas emergenciais, para evitar o colapso, entre as principais o SINPPENAL propõe medidas emergenciais, para evitar o colapso:
- Reposição salarial imediata, de forma a revalorizar a carreira, reduzindo os pedidos de exoneração e atraindo mais candidatos para um novo concurso.
- Abertura de novo concurso emergencial regionalizado para pelo menos 6 mil vagas para repor as perdas acumuladas desde 2018.
- Investimento urgente em tecnologia com melhora dos sistemas de scanners corporais, raios x de inspeção, sistemas de câmeras e radiocomunicação,integração da SAP ao sistema LEAD (Legitimação à Distância) melhorando a velocidade e a eficiência da qualificação dos presos e evitando o uso de antiquadas fichas de papel.
- Modernização urgente do parque tecnológico visto que algumas unidades ainda utilizam sistemas com Windows 95.
- Revisão orçamentária urgente frente ao aumento do número de presos e necessidade de manutenção da frota e das unidades prisionais.