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É com profundo pesar e revolta que o SINPPENAL informa mais uma perda irreparável, a do nosso companheiro Itamar Fernandes Viana Junior, lotado no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Campinas. Com a sua partida, a Polícia Penal do Estado de São Paulo registrou, neste Setembro Amarelo, a sexta morte por suicídio em 2026, ultrapassando todos os cinco casos contabilizados em todo o ano de 2025. A categoria vive, sem nenhum exagero, uma epidemia de adoecimento mental e mortes evitáveis. 

 

Neste momento de extrema dor, a família de Itamar enfrente outra dificuldade: a falta de recursos para fazer o traslado do corpo até Foz do Iguaçu (PR). O custo é de R$ 16.500,00 e graças à união dos policiais penais do CDP de Campinas, já foram arrecadados R$ 3.665,00, mas ainda é preciso completar o valor para garantir uma despedida digna ao companheiro. A campanha de solidariedade aceita contribuições via PIX (CPF): 326.884.578-96, em nome de Cristiane Dias Silva. Toda ajuda faz diferença e o Sinppenal pede que todos compartilhem e fortaleçam essa corrente de apoio à família. 

O Sinppenal presta as mais sinceras condolências aos familiares, amigos e companheiros neste momento de dor irreparável.

 

Epidemia de desgaste na saúde mental

A Polícia Penal, já apontada por estudos da Universidade de São Paulo (USP) como a profissão mais estressante entre as carreiras de segurança pública, com redução comprovada da expectativa de vida de seus servidores, é hoje a categoria mais atingida pela epidemia de problemas de saúde mental no estado. Os números revelam a dimensão do problema. Levantamento do Sinppenal indica que os suicídios entre policiais penais saltaram de dois casos em 2020 para cinco ocorrências em 2025, um aumento de 150% em cinco anos. 

 

A tendência de alta segue implacável em 2026: com a sexta morte registrada agora em setembro, o ano já superou todo o ano anterior e ainda faltam quase quatro meses para o encerramento do ano. Além das perdas fatais, o cenário de adoecimento psíquico assusta. Aproximadamente 5% dos servidores ativos estão afastados de suas funções por transtornos psíquicos. "Esse quadro é resultado direto de uma combinação de fatores que inclui a superlotação das unidades, o déficit de funcionários, hoje em 39%, e a consequente sobrecarga de trabalho, além da desvalorização por parte do Estado e da natureza desgastante da profissão. E o pior de tudo é que não há uma política abrangente de apoio à saúde dos servidores. Policiais estão morrendo por falta de cuidado", afirma Fábio Jabá, presidente do Sinppenal.

 

O Sinppenal cobra do governo do estado de São Paulo a criação imediata de uma rede de atenção à saúde mental dos policiais penais, com acompanhamento psicológico permanente e plantões de emergência. A entidade também exige a melhoria urgente das condições de trabalho que estão na origem do adoecimento psíquico da categoria, com a abertura de concursos públicos para reduzir o déficit de 40% no quadro de funcionários e medidas efetivas para enfrentar a superlotação das unidades prisionais. "A segurança pública não pode ser mantida às custas da vida e da sanidade dos policiais, e o Estado é responsável pela saúde e pelo bem-estar não só dos custodiados, mas também dos servidores. Passou da hora de cuidar de quem cuida da segurança pública", afirma Fábio Jabá. 

 

Se você precisar de ajuda ou apenas de alguém para conversar, acione o Centro de Valorização da Vida (CVV) por meio do telefone 188 ou do chat no endereço https://cvv.org.br/chat/.