Um policial penal que atua no CDP de Hortolândia foi agredido por um preso, no último sábado (3/10), durante a contagem nominal no Raio 6. O policial, que estava posicionado na gaiola de acesso, foi surpreendido por um interno que o puxou pela grade. Na sequência, outros presos tentaram rendê-lo contra a estrutura, quando o policial foi atingido por chutes e socos e teve as roupas rasgadas.
O resgate do servidor só foi possível pela ação imediata de outro policial penal, que realizava a saída das visitas dos raios ímpares. Ao perceber o tumulto, ele interrompeu a passagem dos visitantes, trancou a gaiola e conseguiu retirar o colega do local, evitando que a agressão tivesse desfecho ainda mais grave.
O interno autor foi recolhido à área de isolamento e o policial agredido foi encaminhado à Delegacia de Polícia, onde foi registrado Boletim de Ocorrência por lesão e ameaças de morte contra ele e sua família. O comunicado de evento foi formalizado na unidade.
O Sinppenal ressalta que o episódio não é um fato isolado. Ele é consequência direta da superlotação das unidades e da defasagem grave de efetivo, que obriga os policiais penais a trabalhar em situações críticas, em posições vulneráveis, sem apoio próximo e sem condições mínimas de reação. É essa combinação que transforma rotinas administrativas do dia a dia em situações de risco de vida.
O CDP de Hortolândia tem capacidade para abrigar 844 presos, mas acomoda uma população de 1657, superlotação de 196%. O número é muito maior que o limite de 138% determinado como limite pelo STF. Há anos o Sinppenal vem cobrando da administração Tarcísio de Freitas a recomposição do quadro funcional, que hoje enfrenta um deficit de 40%. O trabalho nessas condições é insalubre e extremamente arriscado. O resultado desse cenário é o aumento dos afastamentos por problemas psiquiátricos e do número de suicídios.