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A Polícia Penal de São Paulo viveu mais uma semana marcada pela violência contra seus profissionais. Em dias consecutivos, policiais penais foram agredidos em duas unidades distintas: o CDP de Icém e a Penitenciária 2 de Mirandópolis. Os episódios não são fatos isolados, são a consequência direta do déficit de 40% no efetivo, da superlotação e do sucateamento do sistema prisional.

CDP de Icém
Na terça-feira, 14 de outubro, por volta das 16h50, um policial penal que cumpria o quarto plantão seguido sozinho na Gaiola 03 por falta de efetivo, responsável por dois postos, foi surpreendido enquanto fechava os cadeados do Pavilhão 5, na altura da Cela 5. Um preso arremessou uma marmita que acertou em cheio a região da costela, causando escoriações e danificando todo o fardamento.

O responsável de turno e o diretor geral foram acionados, os envolvidos foram identificados e o comunicado de evento foi registrado. No dia seguinte, ao entrar o pavilhão para a retirada dos responsáveis, o diretor voltou a sofrer agressões verbais dos presos da mesma cela. Os presos da ocorrência do dia 14 e das agressões do dia 15 foram retirados da unidade.

O policial agredido retornou à Gaiola 3 e assumiu o Raio 6, mas foi informado de que não poderia permanecer no local, sob alegação de instrução da Coordenadoria, e acabou retirado do posto. Com isso, todas as gaiolas da unidade ficaram com apenas um policial por plantão. 

Esta é a quarta agressão em sequência na mesma unidade. O Sinppenal cobra publicamente respostas do Diretor Geral da Polícia Penal: transparência sobre os fatos e providências imediatas para reduzir o déficit.

Penitenciária 2 de Mirandópolis

Na quinta-feira, 15 de outubro, no Pavilhão 4, Cela 22 da P2 de Mirandópolis, um policial penal foi atingido com água fervendo, sofrendo graves queimaduras no pescoço e precisando ser socorrido às pressas no Hospital Estadual de Mirandópolis. 

O episódio ocorreu um dia após a passagem do GIR pela unidade, que retirou integralmente os ocupantes da cela 422.

Nenhum desses episódios acontece por acaso. O Estado impõe aos policiais penais o trabalho em unidades superlotadas, com um déficit crônico de 40% do efetivo e estruturas físicas sucateadas. Cada plantão é um risco. Cada abertura de pavilhão é uma aposta com a própria vida.

O recado do Sinppenal é claro: proteger a própria vida não é insubordinação, é sobrevivência. O protocolo da categoria precisa ser único e rigoroso em todas as unidades: SÓ SE TRABALHA COM SEGURANÇA. Nenhum procedimento, abertura de pavilhão ou movimentação de massa deve ocorrer sem o efetivo mínimo e a retaguarda necessária.

Policial penal, não assuma o risco sozinho: procure o sindicato imediatamente, denuncie a falta de condições e registre B.O.

A omissão do Estado também é uma forma de violência. Exigimos providências — e vamos cobrar até a última instância.