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Ministro da Economia voltou a atacar funcionários públicos ao dizer que “Estado deveria tratá-los como inimigos a serem abatidos com granada no bolso”

 

 

por Giovanni Giocondo

A Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB) vai acionar judicialmente o ministro da Economia, Paulo Guedes, por conta das declarações caluniosas contra o funcionalismo e o fornecimento de dados falsos sobre as contas públicas.

Durante reunião ministerial feita em abril, que teve vídeo divulgado na última sexta-feira (22) após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Guedes afirmou que “o Estado deveria enxergar os funcionários públicos como inimigos a serem abatidos com granada no bolso”.

Para a CSPB, a postura do ministro na gravação é “incompatível com o cargo que ocupa”, um conjunto de “barbaridades” que, ao lado das pechas de “parasitas”, “sanguessugas” e ”assaltantes dos cofres públicos” ditas em ocasiões anteriores para destratar os servidores públicos, demonstra a falta de qualificação de Guedes para se manter na Esplanada.

Por essas afirmações, a Confederação acredita que o ministro cometeu crimes como “advocacia administrativa; assédio moral e danos morais coletivos; calúnia; injúria e difamação; conduta incompatível com o exercício de cargo público, na forma do artigo 148 da Lei 8.112/90; inserção de dados falsos em sistema de informações, de acordo com o artigo 313 do Código Penal; crime de concussão;  improbidade administrativa, entre outros, a serem arrolados nas ações cíveis e penais”.

Na mesma reunião, ao falar sobre o auxílio emergencial a empresas durante a pandemia  do coronavírus, o ministro disse que o governo federal deveria abandonar pequenas e médias porque estas dariam prejuízo ao Estado, socorrendo somente as grandes companhias porque com elas “nós [governo] ganharíamos dinheiro”.

No olhar da Confederação, as declarações de Paulo Guedes escancaram o seu caráter “distorcido” ante o sofrimento da população brasileira, sobretudo em um mês em que, conforme demonstram os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) divulgados nesta quarta-feira(27), o país fechou 860 mil vagas de trabalho, pior número para abril em quase 30 anos da série histórica.

A CSPB também acusa o ministro de ser um mentiroso contumaz ao relembrar das reiteradas afirmações de Guedes sobre a existência de reajustes automáticos nos salários dos servidores públicos - muitos deles, como os policiais penais de São Paulo, não têm aumento real desde 2014 - e de que os funcionários da esfera federal oneram até 90% do Orçamento da União.

O ministro, por outro lado, não menciona as bilionárias desonerações fiscais concedidas pelo governo federal a grandes empresas, tampouco os gastos ordinários com juros e amortizações da dívida pública, que seguem enriquecendo instituições financeiras, sem qualquer contrapartida em serviços prestados à população. 

Na opinião de João Domingos Gomes dos Santos, presidente da CSPB,"Paulo Guedes é um homem que se movimenta no Governo tramando o extermínio das políticas de proteção social, a desvalorização do salário mínimo, a precarização do trabalho, o desmonte dos serviços públicos, a entrega do país às empresas estrangeiras e a transferência de recursos públicos para os banqueiros. Já os servidores públicos, tanto civis quanto militares, são o pilar fundamental,  sem o qual o Brasil não funciona”, explicou.