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Primeiro sindicato da categoria a acolher coletivo da diversidade, SIFUSPESP celebra dia do Orgulho Gay lembrando que trabalhadores e trabalhadoras, independentemente de sua orientação sexual e de gênero, precisam de respeito e apoio de seus colegas para que o sistema prisional possa se tornar mais humano

por Giovanni Giocondo

Comemora-se neste 28 de junho o Dia Internacional do Orgulho LGBTAQI+. A data marca uma luta de 50 anos unindo lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, transgêneros, queers e intersexo contra a discriminação, a perseguição, as agressões, os assassinatos e, acima de tudo, de celebração e de orgulho de suas identidades sexuais e de gênero.

Grupo de relevância para a construção de uma sociedade acolhedora, que respeite as diferenças dentro de todos os espaços sociais, os LGBTQIs têm se destacado dentro da política e do universo do trabalho por defenderem não somente as pautas identitárias, mas por batalhar por justiça para todos aqueles que se sentem oprimidos por decisões do Estado e da iniciativa privada que atacam seus direitos mais básicos.

O SIFUSPESP aproveita a oportunidade para saudar as batalhas históricas do orgulho LGBTQI+ neste meio século e também para lembrar que está aberto a receber os reclames de servidores penitenciários que sentem-se atacados apenas por terem feito uma escolha que infelizmente, parte da categoria e da própria Secretaria de Administração Penitenciária(SAP) e do governo de São Paulo ainda insistem em ignorar.

Nesse sentido, o sindicato lembra da batalha pela conquista da aposentadoria do policial penal transgênero Jill Alves de Moraes, iniciada em janeiro deste ano. Aos 56 anos, ele finalmente obteve seu direito a se aposentar após decisão da Procuradoria Geral do Estado(PGE) obtida após a entrada no caso por parte do Departamento Jurídico do SIFUSPESP, em abril.

Jill, que havia trabalhado durante 29 anos no sistema prisional e reunia todos os requisitos exigidos para a aposentadoria, havia tido seu pedido negado pela São Paulo Previdência(SPPrevi) por suposta “dúvida jurídica relevante”, que seria sua transição de gênero e mudança de identidade civil. Você pode saber mais neste link.

Essa vitória foi um marco para o sindicato, que compreendeu que o servidor não é o único que se enquadra entre as diferentes orientações sexuais e de gênero dentro do sistema e por isso criou, em fevereiro deste ano, o primeiro Coletivo LGBTQI+ com representantes de base para trazer à tona os ataques que permanecem invisíveis aos olhos da maioria.

Foi a primeira ação nesse sentido em quase 40 anos de história do SIFUSPESP e a primeira dentre todos os sindicatos da categoria no Brasil. Uma iniciativa que permite que o respeito à diversidade, o combate ao preconceito e a luta pelos direitos desses trabalhadores e trabalhadoras fiquem em evidência no cotidiano.

Mesmo que neste domingo não haja nas ruas os atos que sempre unem as pessoas em torno da pauta da defesa dos direitos dos LGBTQI+ - a pandemia do coronavírus impede as aglomerações - o sindicato acredita que, de suas casas, os servidores e servidoras possam se manifestar e sentir orgulho de uma entidade de classe que acredita que o futuro é da tolerância, da luta contra a opressão e a favor dos direitos para todos e todas.