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Noticias da semana

  • icon Inseguro e desestruturado, PEMANO deteriora condições de trabalho de servidores  
  • icon 8ª Corrida e Caminhada Asas para Isabela mobiliza Ribeirão Pires em nome da solidariedade

Diretoras do SIFUSPESP estiveram na maior unidade do regime semi-aberto do país neste mês e ouviram denúncias de precariedade predial, falta de vigilância e déficit de funcionários



Quadro de funcionários muito deficitário, segurança falha e falta de estrutura física e humana suficientes para atender à alimentação de servidores, fiscalização de trabalho de presos e outras demandas da unidade. Esta é a realidade verificada por diretoras do SIFUSPESP junto a trabalhadores do Centro de Progressão Penitenciária(CPP) Dr. Edgar Magalhães Noronha, o PEMANO, localizado em Tremembé, no Vale do Paraíba.

Com uma população prisional de 3.010 detentos, de acordo com dados atualizados da Secretaria de Administração Penitenciária(SAP) - mediante capacidade de 2.672 - o CPP é a maior unidade que atende ao regime de semi-aberto no Estado.

 

Déficit de funcionários

O quadro de funcionários ativos, têm se reduzido drasticamente ao longo dos últimos anos - e prejudicado o cotidiano de todos os que permanecem no trabalho. Esse fenômeno se explica pelo fato de o PEMANO ser uma  das unidades mais antigas de São Paulo e ter em seu expediente muitos servidores já em idade de se aposentar.

De acordo com a coordenadora da sede regional do SIFUSPESP no Vale do Paraíba, Sonia Ponciano, e com a diretora de base Cristina Duarte, que estiveram no CPP no último dia 15/01, cerca de 80% dos funcionários já estão próximos de encerrar seu tempo de serviço, e a saúde deles requer cada dia mais cuidados, pois enquanto a população de sentenciados cresce, o número de servidores cai e torna a vida de muitos insuportável.

“É uma unidade onde nunca houve uma reforma completa, a estrutura predial é muito sucateada, são barracões antigos onde foram se acumulando os presos conforme chegavam e a estrutura de segurança é pífia, já que devido à legislação, não pode haver agentes de escolta e vigilância penitenciária(AEVPs) na unidade, por se tratar de regime semi-aberto”, ressalta Sonia Ponciano.

Ainda conforme relato da sindicalista, os agentes de segurança penitenciária(ASPs) mais antigos geralmente são diaristas, e portanto sofrem por necessitar de outros servidores que atuariam como plantonistas, até para dar conta do grande fluxo de detentos que trabalham dentro e fora da unidade, começando a partir das 5h da manhã e encerrando às 18h30, de acordo com o que determinam as normas internas.

A situação fica ainda mais difícil quando os ASPs têm de ser deslocados de suas funções internas para acompanhar detentos para atendimentos em hospitais da região.  Segundo relatos de alguns funcionários ouvidos pelas integrantes do SIFUSPESP, há dias em que dez agentes estão fora da unidade em centros médicos diferentes, além daqueles que precisam ir até os fóruns para  audiências judiciais dos sentenciados.

O caos gerado pelo déficit de funcionários cresce ainda mais porque muitos deles são convocados a atuar de forma excepcional em outras unidades da Coordenadoria do Vale do Paraíba e Litoral. Neste mês de janeiro, muitos funcionários estão de férias, então eles estão enfrentando mais problemas com o déficit.

“Os funcionários estão muito chateados, não aguentam mais trabalhar, ver a situação difícil em que se encontra a unidade e sem perspectivas de melhoras. E a falta de funcionários suficientes atrapalha a disciplina dos presos, isso é muito preocupante”, atesta a coordenadora do SIFUSPESP no Vale do Paraíba.

Os funcionários reclamam ainda da falta de materiais básicos como papel higiênico e copos para beber água, e afirmam que a alimentação fornecida pela unidade é péssima, o que os obriga a trazer comida de casa ou a comprá-la fora.

Há alguns anos atrás, uma empresa terceirizada fornecia a alimentação aos presos e aos funcionários da unidade, mas quando o contrato foi encerrado não houve renovação. A direção chegou a construir uma cozinha industrial para que fosse fornecida a alimentação, mas a medida trouxe mais transtorno na questão de segurança e da disciplina.

Além disso, a cozinha do CPP têm poucos presos dispostos a trabalhar porque o valor pago é menor na comparação com as outras empresas que estão na unidade, onde os detentos preferem atuar para receber um salário superior. Nesse sentido, servidores criticam a falta de estrutura que faz com que a comida produzida atualmente seja de má qualidade

 

Falta de médicos

O PEMANO ainda sofre com outro problema, que é a ausência de um número mínimo de profissionais de saúde para atender às demandas de 3 mil presos. De acordo com os funcionários, o único médico disponível é um psiquiatra que está de licença-prêmio.

“No momento a unidade não dispõe de nenhum clínico geral ou de qualquer outra especialidade. Qualquer tratamento de saúde, por mais básico que seja, precisa ser feito externamente em um hospital, obrigando mais uma vez o deslocamento de outro servidor.

 

Invasão de “ninjas”

A insegurança no PEMANO aumenta a cada dia com o drama da invasão dos chamados “ninjas”.  São criminosos que entram na unidade desprotegida levando drogas, celulares e outros objetos ilícitos. Sem AEVPs com ASPs insuficientes para fazer rondas nos pontos estratégicos da unidade, esses ninjas entram ou então jogam materiais sobre o alambrado em grande quantidade.

De acordo com os servidores, quando esses criminosos são detidos, com eles são apreendidos de 300 a 400 celulares e até 5 kg de drogas de uma só vez. Localizado na rodovia Amador Bueno da Veiga e distante do centro da cidade, o CPP está se tornando um alvo fácil desses criminosos. Não há poder de reação, apesar de a Corevali estar consciente dos problemas que acometem a unidade.

De acordo com Sonia Ponciano, a ideia do SIFUSPESP é tentar dialogar com a coordenadoria para que possa ser feita uma parceria com a Polícia Militar e permitir que viaturas possam fazer rondas no entorno da unidade e assim melhorar as condições de segurança do CPP, ao menos que provisoriamente.

 

Falta de estrutura e insegurança

“Pessoas que já estão em fim de carreira, que já apresentam sintomas de doenças emocionais depois de tantos anos de dedicação ao trabalho, estão tendo um final de carreira terrível. E os novos que chegaram lá já não aguentam mais também”, ressalta a coordenadora da sede regional do SIFUSPESP no Vale do Paraíba, Sonia Ponciano.

Os funcionários também reclamaram com as sindicalistas que estão sendo obrigados a trabalhar na torre, lugar que deveria ser ocupado por AEVPs. “Como eles vão trabalhar na torre contra criminosos que estão na área externa e vêm armados, se eles não estão com arma nenhuma, principalmente no horário noturno, como? Se eles tomarem um tiro lá, de quem vai ser a responsabilidade?”, questiona Sonia Ponciano, que prossegue .

“Sabemos que uma vez que eles(ASPs) se negam a ir trabalhar como se fossem AEVPs ou a fazer qualquer coisa nesse sentido são penalizados, cobrados e perseguidos, e são todos funcionários em final de carreira, e eles tentaram acordo, diálogo, e não havendo eles apenas cumprem com seus horários.

Os agentes também reclamaram que em um diálogo direto com a administração, seja com a direção geral, seja com a segurança e a disciplina, eles gostariam de dar sugestões por trabalhar diretamente com os presos, na carceragem. Infelizmente, não são chamados e não são ouvidos, a eles não é perguntado o que pode ser feito para melhorar a unidade.

O SIFUSPESP, por outro lado, ouviu todos os reclames dos servidores do PEMANO, oferecendo respaldo jurídico e atendimento de saúde mental na sede regional do Vale do Paraíba. Além disso, o sindicato vai entrar em contato com a Corevali para cobrar medidas urgentes que ao menos reduzam os danos causados aos funcionários e à estrutura do CPP.

 

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Ribeirão Pires recebe, no dia 29 de novembro, a oitava edição da Corrida e Caminhada Asas para Isabela, evento que já se consolidou como uma das maiores mobilizações esportivas e solidárias da região do Grande ABC Paulista. A largada está marcada para as 7h30, no Paço Municipal, e as inscrições podem ser feitas pelo site www.asasparaisabela.com.br.

A prova oferece percursos de 5K e 10K para quem escolhe correr e uma caminhada de 2,5K para quem prefere um ritmo mais leve. Dá para participar em qualquer uma das modalidades sem precisar ser atleta experiente, o que ajuda a explicar por que empresas e entiades parceiras, famílias e moradores da região transformaram o evento em uma verdadeira corrente do bem ao longo dos anos.

O Sinppenal acompanha e divulga essa história desde 2017, reforçando o compromisso da entidade com causas que unem esporte, inclusão e solidariedade na região.

Quem participa apoia uma causa especial. Isabela tem 16 anos, paralisia cerebral e, desde os 3 anos, realiza no Chile um tratamento de alto custo chamado Cuevas Medek Exercises, que a ajuda a conquistar cada vez mais independência. Toda a renda líquida da corrida é destinada à continuidade desse tratamento.

Cada inscrição no evento contribui para melhorar a saúde e a qualidade de vida de Isabela. Quem quiser contribuir pode se inscrever, apoiar como voluntário ou divulgar a iniciativa, que a cada edição reúne mais gente disposta a correr e caminhar por um propósito que vai muito além do esporte.

Mais informações e inscrições estão disponíveis em www.asasparaisabela.com.br.

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Para o especialista em criminalística e em Segurança e Direitos Humanos, e diretor do SIFUSPESP na Penitenciária Feminina de Santana, “o trabalho de base é de formiguinha e tem que ser feito para conscientizar o trabalhador sobre seus direitos”

 

Por Flaviana Serafim

Policial penal da Penitenciária Feminina de Santana (PFS), na capital, ele entrou para o sistema prisional com apenas 19 anos, logo após servir o Exército e decidir prestar concurso. É diretor de base do SIFUSPESP desde março, tendo iniciado sua atuação sindical no “olho do furacão”, enfrentando de cara todas as questões envolvendo a proteção da categoria em meio à pandemia de coronavírus, mas seus passos como cidadão politicamente atuante vêm de longe.

Com 45 de idade e há 26 anos como servidor da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), Abdael Ambruster é especialista em criminalística e em Segurança e Direitos Humanos na Academia de Polícia "Dr. Coriolano Nogueira Cobra" (Acadepol), pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), membro do Movimento de Policiais Antifascismo e compartilha sua trajetória para o Fora das Grades nesta entrevista e em vídeo no final da reportagem. O policial penal também é colunista e escreve mensalmente para o SIFUSPESP.

“O que poderia recair sobre o próprio servidor, o diretor de base sindical vai lá e segura as pontas. É a pessoa que vai ouvir seus lamentos, é como um escudo. O trabalho de base é de formiguinha e tem que ser feito para conscientizar o trabalhador sobre seus direitos”, afirma. 

Como a opressão marca os locais de trabalho no sistema prisional, situação que muitas vezes impede o servidor de procurar a entidade sindical, Ambruster destaca que diretor de base é essencial também por ser um facilitador, por poder trazer as demandas que o servidor por receio não expõe e guarda para si mesmo.

"Quando o diretor sindical está ativo na base e faz esse meio de campo, ele tem a confiança do trabalhador e vai levando as demandas ao sindicato. O diretor sindical tem autonomia e a segurança jurídica da atuação sindical, e é a voz da categoria no sindicato e junto ao diretor da unidade prisional” 

Informar, formar e conscientizar

Mas em plena pandemia, e num momento em que as entidades sindicais têm enfrentado diversos ataques pelas diferentes esferas de governo que insistem em desestimular a união dos trabalhadores, por que aceitar o desafio de representar o SIFUSPESP numa penitenciária?

Por que aceitou o desafio de representar o SIFUSPESP dentro de uma penitenciária num momento em que as entidades sindicais têm enfrentado diversos ataques pelas diversas esferas de governo que insistem em desestimular a união dos trabalhadores? A necessidade de a categoria ter acesso à informação sobre seus direitos, sobre lutas e ações em andamento no sindicato, sobre avanços e a necessidade de mobilização contra retrocessos.

“No caso da pandemia, muitos trabalhadores do sistema não tinham conhecimento das ações judiciais do SIFUSPESP para barrar as visitas, para garantir proteção e nem a luta pelo direito ao afastamento do grupo de risco”.

Para o policial penal, outra importante atuação do diretor de base também é a formação, a conscientização dos servidores seja quanto aos próprios direitos ou quanto à importância da entidade sindical para representação da classe.

“O sindicato é a ferramenta de luta para o trabalhador e fica mais ágil à medida em que se usa essa ferramenta. Fora disso, é discurso desagregador, de patrão, que quer colocar servidor contra servidor. Por isso, servidor, o sindicato é a sua ferramenta”, ressalta.  

Na visão do policial penal, a esfera de responsabilidades do diretor de base é grande porque envolve questões para além da categoria, como os direitos dos apenados e de toda a população que utiliza os serviços da unidade “uma vez que os trabalhadores penitenciários são servidores públicos”.

O papel do policial como promotor de direitos humanos

Ambruster desta que “o policial antes de mais nada é um promotor de direitos. É um defensor de direitos humanos e isso consta no manual do Alto Comissariado das Nações Unidas, em Genebra”.

Segundo o policial penal, os órgãos das forças pública de segurança foram os que mais sofreram mudanças historicamente no Brasil, como na passagem da monarquia para República, nos processos de golpe e ditaduras, em que a repressão do Estado é usada para conter as lutas populares por melhores condições de vida. 

“Quando se estuda a história de formação do país, o trabalhador toma consciência de que a princípio a polícia em si foi criada para proteger bens e quem tem bens, e não só aqui mas em vários lugares do mundo. O processo civilizatório é que trouxe humanização às polícias”. Por isso, Ambruster é crítico do sistema de segurança pública do Brasil, que considera “um sistema falido, arcaico, com 40 anos de atraso e repetindo modelos que nem nos Estados Unidos se utiliza mais, tanto na questão policial quanto na questão penitenciária”.

Do anseio quanto ao que a sociedade busca do representante policial, e da crítica dos próprios policiais quanto à estratégia repressiva do Estado, nasceu em 2016 o Movimento dos Policiais Antifascistas, do qual Ambruster faz parte.

“Esses policiais encontraram respostas aos seus anseios porque muitos não concordam com esse mantra que é ditado desde o pós-golpe de 1964, de ‘tiro, porrada e bomba’, de ‘direitos dos manos’ porque os direitos humanos são para bandidos. Negativo, pois esses policiais entendem que são trabalhadores de direitos e que exercem uma função social de suma importância garantindo esses direitos”, relata.

Assim, o movimento atua no sentido “do que a sociedade espera de um policial, daquilo que as Nações Unidas espera de uma pessoa que é empossada com o dever se servir e proteger os seres humanos. O movimento nasceu nesse anseio, nesse processo contra o massacre da juventude pobre e periférica por exemplo”.

Políticas de segurança e o servidor penitenciário

Filiado ao Partido dos Trabalhadores, Abdael coordenou o grupo de trabalho (GT) e foi responsável pela elaboração do plano de Segurança Urbana que integra o programa do candidato a prefeito da capital Gilmar Tatto. Como diferenciais, a perspectiva de Ambruster como policial penal, sindicalista e servidor público, além da proposta trazer a visão da segurança nos territórios para que as comunidades possam construir um diálogo com as esferas do município e do Estado.

Entre outras propostas do plano estão a colocação de câmeras de monitoramento e rede wi-fi em pontos de ônibus para segurança dos munícipes. Outro projeto apresentado por Abdael enquanto diretor de base, junto à vereadora e candidata à reeleição Juliana Cardoso (PT), e que o sindicato também articulou como Projeto de Lei pelo vereador Celso Giannazi (PSOL), é a gratuidade no transporte público municipal ao policial penal, nos mesmos moldes da Polícia Militar.

Ambruster também propôs a que a Guarda Civil Metropolitana tenha uma aposentadoria equivalente a das forças policiais, pois hoje o GCM se aposenta como se fosse um servidor público regular e, tal qual os servidores penitenciários, sofre dos mesmos males, como déficit de funcionários e má qualidade de vida, segundo o sindicalista.

“Quando o trabalhador policial enxerga seus direitos e tem consciência da necessidade de fazer um programa inclusivo, encontra propostas nesse programa que vão realmente atender aos seus anseios e os da população”.

Participe do Fora das Grades

Nova seção do site do SIFUSPESP, o Fora das Grades foi surgiu para visibilizar e valorizar as ações e a produção da categoria para além dos muros. Entre em contato pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.  ou por mensagem no Whatsapp (11) 99339-432 e compartilhe suas histórias.

Leia alguns dos artigos escritos pelos policial penal:
A omissão do Estado Democrático de Direito
Pátria armada: a incompetência na segurança pública
Tumbas com grades, a ameaça da covid-19 no sistema penitenciário
Pátria miliciana
Manifesto dos Policiais Antifascismo em Defesa da Democracia Popular 

Confira no vídeo outros temas do bate papo com Abdael Ambruster: