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Demora do governo em entregar a funcional coloca a vida dos policiais penais em risco


O perfil oficial da Polícia Penal do Estado de São Paulo resolveu postar um vídeo que parece cinema mostrando a produção das novas carteiras de identidade funcional. As imagens das máquinas trabalhando são ótimas para ganhar curtidas, mas para quem está na linha de frente a realidade é amarga. O Sinppenal cobra a entrega das novas funcionais há dois anos. Desde 2024 o sindicato protocola ofícios e participa de reuniões exaustivas exigindo o óbvio, que é o documento de identificação da categoria.

Enquanto o governo gasta tempo editando vídeo para a internet, os policiais penais seguem em uma insegurança jurídica e física absurda. Além do documento físico que nunca chega é urgente que o Estado libere também a funcional virtual. A demora não é apenas um detalhe burocrático, mas um descaso que escancara a falta de prioridade com a vida de quem mantém a ordem no sistema prisional.

A falta de uma funcional padronizada e atualizada tem um custo humano alto. No dia 10 de abril em Guarulhos um colega sentiu na pele o que significa estar desamparado pelo próprio Estado. Ele estava em gozo de licença prêmio circulando pela Avenida Tiradentes quando foi abordado por equipes da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar. Mesmo se identificando como policial penal e colaborando com a abordagem ele foi arrancado do carro com uma violência desmedida e jogado ao chão como se fosse o pior dos criminosos.

O servidor teve os óculos quebrados e o ombro torcido enquanto agentes pisavam em suas costas no meio da via pública. Durante a abordagem, ele ele ainda teve que ouvir insultos de um policial militar que afirmou que a polícia penal serve apenas para ser babá de preso. Esse tipo de absurdo acontece porque a falta de uma identificação clara abre margem para que o policial penal seja tratado como suspeito por quem deveria ser seu parceiro de armas.

Outro caso que ilustra bem o descaso do governo do estado com a Polícia Penal aconteceu com um colega abordado por um Policial Militar Rodoviário. Ao apresentar a carteira que ainda traz a nomenclatura de Agente Penitenciário, ele foi questionado de forma irônica sobre onde estaria sua funcional de Policial Penal. O PM quis saber por qual motivo ele ainda portava um documento antigo se a carreira já havia sido transformada. O colega precisou passar pelo constrangimento de explicar que a culpa é da demora do governo em emitir o novo modelo.

É uma situação que beira o surrealismo. O Estado transforma a carreira por lei mas esquece de dar ao servidor o meio básico de provar quem ele é. Essa negligência fere a dignidade da categoria e expõe o profissional ao ridículo diante de outras corporações. O Sinppenal reforça que não aceitará mais desculpas vazias. Queremos a entrega das funcionais físicas e a liberação do modelo virtual para todos. O respeito deve ser a base do tratamento entre as polícias e não algo que o servidor precise implorar após ser agredido ou humilhado por falta de um documento que o governo deve há dois anos.

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