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Mais um policial penal que sofria de depressão tirou a própria vida na noite de quarta-feira (22), em São Paulo. Com essa tragédia, sobe para cinco o número de servidores do sistema prisional paulista que atentaram contra a própria vida em 2026. Em apenas sete meses, 2026 já iguala o total de 2025. A Polícia Penal, já apontada por estudos da Universidade de São Paulo (USP) como a profissão mais estressante entre as carreiras de segurança pública, com redução comprovada da expectativa de vida de seus servidores, é hoje a categoria mais atingida pela epidemia de problemas de saúde mental no estado.

 

Os números revelam a dimensão do problema. Levantamento do Sindicato dos Policiais Penais de São Paulo (Sinppenal) indica que os suicídios entre esses profissionais saltaram de dois casos em 2020 para cinco ocorrências em 2025, um aumento de 150% em cinco anos. A tendência de alta segue implacável em 2026, com cinco registros contabilizados até aqui.

 

Além das perdas fatais, o cenário de adoecimento psíquico assusta. Aproximadamente 5% dos servidores ativos estão afastados de suas funções por transtornos psíquicos. "Esse quadro é resultado direto de uma combinação de fatores que inclui a superlotação das unidades, o déficit de funcionários, hoje em 39%, e a consequente sobrecarga de trabalho, além da desvalorização por parte do Estado e da natureza desgastante da profissão. E o pior de tudo é que não há uma política abrangente de apoio à saúde dos servidores. Policiais estão morrendo por falta de cuidado", afirma Fábio Jabá, presidente do Sinppenal.

 

Sistema sucateado

A comparação de dados históricos evidencia o sucateamento da estrutura de segurança no sistema prisional paulista. Em 2013, o estado contava com 31.847 policiais penais para custodiar 207 mil detentos, resultando em uma média de 6,49 presos por servidor. Em junho de 2026, o número de agentes caiu para 22.909, enquanto a população carcerária subiu para 229.626 mil pessoas. Hoje, cada policial penal é responsável por uma média de 10 detentos, um aumento significativo na pressão cotidiana dentro das 180 unidades prisionais. A recomendação do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) para o bom funcionamento das unidades é que cada policial penal se responsabilize por um grupo de 5 custodiados.

 

Saúde em frangalhos

Esse quadro de adoecimento entre servidores se insere em um contexto muito maior de colapso institucional. Relatório do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) divulgado recentemente reforça a gravidade do ambiente prisional ao documentar que uma pessoa morre a cada 19 horas no sistema paulista. Entre 2015 e 2023, foram registradas 4.189 mortes. A falta de profissionais de saúde agrava a situação, já que o déficit nessa área chega a 69%. Segundo dados obtidos no Portal da Transparência, das 2.626 vagas existentes para médicos e enfermeiros, apenas 803 estão preenchidas.

 

Em entrevista recente à imprensa, o presidente do Condepe, Adilson Santiago, afirmou que o sistema prisional está colapsado. "É um sistema que, se ele continuar da maneira que está, fatalmente nós estaremos aqui falando sobre um aumento expressivo no número de mortes." Para os policiais penais, a convivência cotidiana com essa realidade e a ausência de suporte institucional tornam o trabalho insustentável.

 

Estado precisa agir

O Sinppenal cobra do governo do estado de São Paulo a criação imediata de uma rede de atenção à saúde mental dos policiais penais, com acompanhamento psicológico permanente e plantões de emergência. A entidade também exige a melhoria urgente das condições de trabalho que estão na origem do adoecimento psíquico da categoria, com a abertura de concursos públicos para reduzir o déficit de 39% no quadro de funcionários e medidas efetivas para enfrentar a superlotação das unidades prisionais. "A segurança pública não pode ser mantida às custas da vida e da sanidade dos policiais, e o Estado é responsável pela saúde e pelo bem-estar não só dos custodiados, mas também dos servidores. Passou da hora de cuidar de quem cuida da segurança pública", afirma Fábio Jabá.

 

Atendimento 24h

Se você precisar de ajuda ou apenas de alguém para conversar, acione o Centro de Valorização da Vida (CVV) por meio do telefone 188 ou do chat no endereço https://cvv.org.br/chat/

 

É com profundo pesar que o Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) comunica o falecimento do nosso companheiro Luciano Augusto do Prado Pereira, Policial Penal, lotado no CDP 4 de Pinheiros.


Luciano era um profissional dedicado, reconhecido por sua postura respeitosa, atenção com os colegas e generosidade. Em sua trajetória na instituição, destacou-se pela disposição inabalável em ajudar o próximo e pelo compromisso com a profissão.


Sua disponibilidade em estender a mão e servir aos colegas marcou sua passagem pelo Sistema Prisional.


Neste momento de dor, o Sinppenal se solidariza com familiares, amigos e todos os que tiveram a honra de conviver com Luciano. 


Que sua memória permaneça viva em nossos corações e que seu exemplo de companheirismo e humanidade inspire todos que conviveram com ele.

O Sindicato dos Policiais Penais (Sinppenal) informa que foi publicado no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (20/07) o código administrativo referente à ajuda de custo para alimentação dos policiais penais. A medida representa um avanço concreto na regulamentação do benefício previsto nos Artigos 72 e 73 da Lei Complementar nº 1.416/2024 (Lei Orgânica da Polícia Penal).


Desde a sanção da lei, em setembro de 2024, o Sinppenal vem atuando em diversas frentes para garantir a efetivação do direito, seja por meio de ação coletiva na Justiça (Processo nº 1000037-29.2026.8.26.0380), diálogo institucional e mobilização da categoria. A criação do código na folha de pagamento é um passo administrativo indispensável para que o benefício comece a ser processado pelo Estado.


O Sinppenal reforça, porém, que a luta não para por aqui. O objetivo da categoria sempre foi garantir a diária de alimentação nos mesmos moldes das demais forças de segurança do Estado, com valores e condições equivalentes. 


A publicação do código é um avanço importante em uma pauta que a categoria acompanha de perto há meses. Mas seguiremos acompanhando cada etapa e cobrando o que é de direito dos policiais penais até que esses direitos estejam, de fato, vigentes.