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Sindicato enfrenta proibição de acesso às unidades e perseguição a sua direção, enquanto denuncia o desmonte programado do sistema prisional

No dia de ontem o Secretário Geral do SINPPENAL Wanderlei Rosa Junior foi impedido de acessar as dependências do Centro de Progressão Penitenciária de Porto Feliz, para apurar uma agressão a um Policial Penal.

O Secretário Geral foi recebido pelo diretor-geral e posteriormente pelo diretor de disciplina. Segundo a Diretoria da unidade, o incidente ocorreu com um preso que faz uso de medicamentos controlados e tentou puxar o Policial pelo óculos que estava pendurado no cordão, no pescoço, mas não teve êxito.

Segundo a diretoria foi aberta uma NAT, realizada uma blitz, e o preso encaminhado para o pavilhão disciplinar, e posteriormente para o regime fechado. Segundo as informações o Policial não se feriu. 

Ao solicitar acesso para vistoriar as condições de trabalho da carceragem foi informado  pelo diretor-geral, que existia “ordem superior” para impedir o acesso. A ser questionado pelo sindicalista sobre o documento que embasou tal ordem o Diretor Geral respondeu que a mesma não existia por escrito.

A atitude do Diretor, viola o direito constitucional de atuação sindical (art. 8º, III, da CF) e a legislação sanitária estadual. “É uma afronta à democracia e à transparência. Enquanto tentamos fiscalizar as condições de trabalho e sanitárias, o governo nos cala”, denuncia Wanderlei.

Frente a ilegalidade foi registrado um Boletim de Ocorrência que servirá de subsídio para a ação judicial movida pelo SINPPENAL contra a SAP.


O SINPPENAL vem travando uma batalha em duas frentes: na Justiça, contra a restrição ilegal à atuação sindical, e na esfera pública, para expor a degradação programada das condições de trabalho dos policiais penais. Enquanto o governo do estado impede a entrada de representantes do sindicato nas unidades prisionais, paralelamente, o presidente Fábio Jabá responde a processos administrativos por levantar a voz contra a precarização do sistema. “Estamos sendo punidos por cumprir nosso papel: denunciar o colapso que o próprio governo produziu”, afirma Jabá.

O desmonte em números
Dados compilados pelo SINPPENAL,mostram que a situação não é acidental, mas resultado de anos de desinvestimento:

  • Redução de 20,34% no quadro de policiais penais desde 2013, enquanto o número de unidades prisionais aumentou 15,19%.
  • Sobrecarga extrema: cada policial penal, que em 2013 custodiava 7,03 presos, hoje responde por 9,47 – um aumento de 34,7% na carga individual.
  • Salários na lanterna nacional: SP, o estado mais rico, paga um dos menores vencimentos iniciais da categoria no país.
  • Orçamento que não chega ao servidor: mesmo com reajustes, a massa salarial real caiu 3,38% em 2025, pois o estado economiza com cargos vagos.

“Não é falta de recurso, é falta de prioridade. O governo não valoriza quem mantém o sistema de pé”, critica Jabá.

A luta continua
O SINPPENAL ingressou na Justiça para garantir o direito de acesso às unidades e para frear a perseguição sindical. “Não vamos recuar. A Polícia Penal de São Paulo não pode mais esperar por condições dignas de trabalho, salário justo e respeito à sua atuação profissional”, reforça a entidade.

A campanha pelo fim da “mordaça sindical” e pela valorização real da categoria segue nas redes sociais, nas ruas e nos tribunais. O SINPPENAL convoca todos os policiais penais, familiares e aliados a se unirem nesta luta pela dignidade e pelo futuro do sistema prisional paulista.

Você pode ajudar

Para ajudar nessa luta, você pode preencher e enviar uma declaração de que também em sua unidade o SINPPENAL tem sido proibido de entrar, a mesma será mantida em segredo de justiça, ou seja seu nome não será exposto. A declaração preenchida deve ser enviada para o email : Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., e o modelo baixado em: https://docs.google.com/document/d/1Ipuv3IyYbzdmmVFMFQUQI2Os5EmMonvC/edit?usp=drivesdk&ouid=104325356166865234241&rtpof=true&sd=true

Abaixo a live do Presidente do SINPPENL falando sobre o assunto:

Caro Governador, como o Sr. deve saber, nosso estado possui a maior população carcerária do Brasil e da América do Sul. Na data em que escrevemos esta carta, contamos com mais de 223 mil presos entre os regimes provisório, fechado e semiaberto.

Este número está apenas 10 mil presos abaixo do recorde histórico de 233 mil, registrado em 2019.

Naquela época, tínhamos 30.994 Policiais Penais, ou 7,5 presos por policial. Atualmente, essa média é de 9,5 presos para cada policial. Esse crescimento deveria ser um sinal de alerta para qualquer governante preocupado com a segurança pública.

Na prática, a realidade é bem pior do que os números indicam. Logo no início de sua gestão, a SAP passou a realizar as escoltas no interior do estado, liberando diariamente meio batalhão de Policiais Militares que exerciam essa função. Porém, essa nova atribuição foi assumida sem que o efetivo crescesse de forma proporcional. Segundo dados do próprio governo, são empregados 1.586 homens nessas escoltas, mas o estado contratou em 2022 menos de 1.300 policiais para essa finalidade.

A redução de efetivo da Polícia Penal é a mais severa entre as forças de segurança de nosso estado. Além da redução do quadro, tivemos um aumento do número de unidades. Em 2013, tínhamos uma média de 186 Policiais Penais por unidade; hoje são 129. E, como já citamos, em 2013 não realizávamos escoltas, ou seja, na prática temos menos policiais do que isso.

Desde o Governo Dória, a proporção do orçamento do estado destinada à SAP tem se reduzido, e essa tendência foi mantida sob sua administração, precarizando a infraestrutura e piorando ainda mais as condições de trabalho.

Apesar de seu Governo ter divulgado a reestruturação das carreiras de ASP e AEVP como "valorização", o que se viu foi uma redução de 3,8% da massa salarial da SAP. Ou seja, o parco reajuste foi amortizado pela dramática redução do quadro de pessoal.

Cumprimento de promessas é um instrumento poderoso

Quando, em sua primeira reunião de secretariado, o senhor declarou que “Cumprimento de palavra é um instrumento poderoso”, criou uma enorme expectativa em nossa categoria. Esperávamos que, pela primeira vez, fôssemos valorizados tanto financeira como institucionalmente.

Infelizmente, o que vimos foi uma sequência de promessas não cumpridas: uma lei orgânica que nos tornou a primeira polícia do Brasil sem prerrogativas de função e acautelamento de arma; que, além de retirar os benefícios temporais de quinquênio e sexta parte e prejudicar financeiramente aqueles com mais tempo de serviço, ainda aumentou o tempo de progressão na carreira, prejudicando também os mais novos. Destacam-se os policiais que estavam terminando o estágio probatório e que, graças a um artigo da Lei Orgânica que o senhor enviou para a ALESP, perderam no mínimo um ano de progressão funcional.

Devemos informá-lo de que não esquecemos os 14% de diferença do reajuste dado às demais forças de segurança em 2023, que seu Secretário da Casa Civil afirmou que viria também para a Polícia Penal. Nem das promessas de que as Polícias de São Paulo estariam entre as 10 mais bem pagas do Brasil.

Suas políticas estão colocando a sociedade em risco

Sendo o primeiro governador na história da SAP a não contratar sequer um único policial penal, o senhor Governador deveria saber que não poderá contar com a "falsa melhora" causada pela redução da população prisional (de 233 mil para 196 mil) devido à pandemia, que mascarou a perda de quase 2.000 policiais penais no período. O sistema "respirou" artificialmente, não por eficiência, mas por circunstâncias externas.

Pelo contrário, pela maioria dos modelos matemáticos, a população carcerária deve ultrapassar os 233 mil de 2019. Da mesma forma, se mantida a tendência de redução do quadro de pessoal, chegaremos ao final de 2026 com menos de 23 mil Policiais Penais. Ou seja, pela primeira vez na história da SAP, serão mais de 10 presos para cada Policial Penal.

Na prática, isso significa pavilhões inteiros sem supervisão adequada, entregues à autogestão das facções criminosas; Policiais Penais trabalhando em 2 ou 3 postos, cuidando de 700 a 1000 apenados sozinhos; muralhas sem guarnição completa; e policiais à beira do colapso devido ao excesso de trabalho.

Ao invés de calar as vozes discordantes, tome providências

Até o momento, sua gestão revela um projeto de desmonte estrutural, sem ter ao menos conseguido realizar um concurso devido a ilegalidades no edital. Sua gestão sequer foi capaz de emitir uma carteira funcional para os Policiais Penais ou entregar o novo uniforme.

Enquanto em vários estados os secretários comemoram a entrega de viaturas, armamento, reformas e melhorias, em São Paulo a ação mais notável do Secretário da SAP foi proibir a entrada do sindicato nas carceragens, violando desde a Constituição até o código sanitário do estado, que garante esse poder de fiscalização.

Destaca-se também a perseguição sistemática a todas as vozes que ousam denunciar o desmonte do Sistema Prisional paulista, mostrando que, na prática, a "Liberdade de Expressão" tão ardentemente defendida pelo Governador só serve para as vozes amigas.

Governador, para terminar esta missiva, gostaríamos muito que, nestes dez meses que restam de seu mandato, o Senhor provasse que estamos enganados, que seu plano não é sucatear o sistema prisional e que realmente vai valorizar a Polícia Penal.

Para que o senhor não se esqueça de suas promessas, estaremos no dia 24 deste mês, às 10 horas, no vão do MASP, junto com representantes das outras forças policiais, mostrando aos cidadãos de São Paulo tudo o que o ilustre Governador deve fazer até dezembro para não ser chamado de mentiroso.

O SINPPENAL, através do seu Departamento Jurídico, prepara uma ação coletiva a fim de corrigir a injustiça apresentada pelo Governo Tarcísio no que se refere ao resultado do estágio probatório e busca, além da correção de Nível, a compensação frente ao prejuízo que tenha sido causado a cada Policial Penal atingido nessa questão. 

A ação abrange a todos os Policiais Penais que completaram o estágio probatório após a entrada em vigor da Lei Orgânica.

Isso porque, se o servidor prestou concurso e entrou em exercício com uma lei que prometia o Nível II após 3 anos, a expectativa é que cada um cumpra o seu papel, ou seja, ao final do estágio probatório, uma mudança repentina para a Categoria A do Nível I, traz um baque tanto emocional quanto financeiro, frustrando, ainda, a confiança que o Estado gerou no momento da contratação.

Lembrando que não havia nenhuma regra vigente dizendo que esse profissional seria enquadrado no Nível I, mas, sim, no Nível II. O absurdo que o Governo fez foi apresentar uma mudança, através de um dispositivo, na atual lei, prejudicando, sem dó nem piedade, os policiais penais que já se estavam na Secretaria. 

O Sindicato vai questionar essa arbitrariedade do Governo Estadual, levando em consideração o princípio da isonomia, prevista no Art. 5º, Caput, CF, e o fato de as contratações terem sido feitas antes da entrada em vigor da Lei Orgânica. 

Afinal, qual o motivo de não incluírem a mudança para os novos concursados, sem prejudicar quem já estava atuando? Essa é a grande questão que o SINPPENAL levanta e quer, além de uma resposta razoável, a correção imediata dessa injustiça para com profissionais que atuam em uma área prioritária da sociedade.