No último sábado, 20 de junho de 2026, a Penitenciária I de Potim foi palco de um grave motim que resultou na morte de dois detentos e deixou outros quatro feridos em razão de um conflito, iniciado a partir de uma briga entre presos rivais dentro de um dos pavilhões. A situação escalou rapidamente para uma crise com a tomada de refém.
Os feridos foram prontamente encaminhados para unidades de saúde da região sob forte escolta, enquanto os corpos dos falecidos foram removidos após a perícia técnica.
O incidente ocorreu durante o período de visitação, o que elevou drasticamente a complexidade da operação, dada a presença de familiares de detentos no interior do pavilhão. A situação exigiu uma resposta imediata e coordenada da Polícia Penal, que atuou na contenção periférica e na proteção dos civis presentes. Para a resolução do impasse envolvendo o refém, foi acionado o GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais), que conduziu as negociações de forma técnica e estratégica.
A atuação conjunta entre os policiais penais da unidade e as forças especiais foi determinante para garantir a integridade física dos familiares e a liberação do refém sem ferimentos graves. O Sinppenal destaca o profissionalismo dos agentes que, mesmo sob condições adversas e pressão extrema, conseguiram evitar uma tragédia de proporções ainda maiores. O desfecho certamente seria pior se nossas forças policiais não fossem preparadas e comprometidas com a segurança pública.
Superlotação e defasagem
O motim em Potim não é um fato isolado, mas o sintoma de um sistema que opera muito além de seu limite suportável. A Penitenciária I possui uma capacidade projetada para 748 detentos, entretanto, no momento do conflito, abrigava uma população de 1.302 internos. Esse cenário representa uma superlotação de 74%, o que inviabiliza a manutenção adequada da ordem e da segurança interna.
Somado ao excesso de custodiados, o déficit de recursos humanos agrava o risco ocupacional. Atualmente, o sistema prisional enfrenta uma defasagem de 39% no quadro de policiais penais. Na prática, isso significa que um número reduzido de servidores é responsável por monitorar uma massa carcerária instável e superpopulosa, expondo o trabalhador a situações de perigo constante e sobrecarga física e mental.
Rescaldo e Segurança
Após o controle da situação na noite de sábado, o GIR (Grupo de Intervenção Rápida) realizou, na manhã de domingo (21), uma revista geral minuciosa em todas as celas da unidade. O objetivo da operação foi a apreensão de materiais ilícitos e a identificação de lideranças envolvidas no levante. Como medida preventiva para evitar novos confrontos, a Secretaria de Administração Penidenciária (SAP) autorizou a transferência imediata dos principais envolvidos para outras unidades de segurança máxima.
O Sinppenal reitera que a segurança pública não se faz apenas com contenção, mas com investimento estrutural. É imperativo que o Estado promova a abertura de novos concursos públicos para suprir a vacância de 39% e adote medidas urgentes para reduzir o excedente populacional nas unidades prisionais. A Polícia Penal de São Paulo continua a demonstrar sua competência técnica, mas não pode ser penalizada pela negligência administrativa que permite que unidades operem com quase o dobro de sua capacidade. Seguiremos acompanhando o desdobramento das investigações e prestando todo o apoio necessário aos policiais penais que atuaram nesta ocorrência crítica.