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A divulgação do resultado do TAF da Polícia Penal de São Paulo traz grande preocupação tanto para os candidatos, como para os policiais penais da ativa. Para os candidatos, pelas falhas, violações de edital e desorganização do Instituto AOCP. Para os policiais penais, pela possibilidade do concurso não conseguir sequer selecionar candidatos para as 1.100 vagas autorizadas.

Perante um déficit de 40% do efetivo de policiais penais e de um crescimento da população carcerária que se encaminha para um recorde histórico, as violações do edital e das boas práticas na aplicação do Teste de Aptidão Física devem desencadear uma enxurrada de recursos judiciais que poderá atrasar a conclusão do concurso.

 

Recursos começam hoje

Segundo o edital, os recursos começam hoje (15/9) e vão até 17/9 nos termos da alínea “g” do item “1” do Capítulo XII do Edital CCP n° 004/2025.

O Sinppenal recomenda a todos os candidatos que se sentiram prejudicados interporem os devidos recursos, até mesmo porque tais recursos são fundamentais para futuras ações judiciais.

 

Sindicato oficiou DGPP

Frente às denúncias de violações do edital, como a inversão da ordem dos testes e a série de problemas técnicos e metodológicos, o Sinppenal oficiou o DGPP solicitando:

  1. a) A instauração de sindicância ou procedimento administrativo para apurar com urgência e transparência todas as denúncias de irregularidades apontadas, especialmente quanto às condições da pista em Presidente Prudente e à precariedade dos equipamentos de barra fixa.

 

  1. b) A determinação para que a banca organizadora adote medidas imediatas para sanar as falhas, garantindo a reaplicação de etapas, se constatado prejuízo generalizado, e a padronização dos critérios de avaliação e dos equipamentos .

 

  1. c) A garantia de amplo acesso aos vídeos e registros das provas para que os candidatos possam exercer seu direito de recurso de forma efetiva, conforme já determinado pela justiça em casos semelhantes .

 

  1. d) A publicidade integral dos resultados e dos critérios de correção de cada exercício, para que a transparência seja restabelecida.



Daniel Vorcaro não era um preso qualquer esperando proteção de última hora. Documentos da Polícia Federal descrevem o banqueiro como um apoiador do Primeiro Comando da Capital. Em mensagem destinada ao "Sintonia Tiradentes", integrantes ligados à facção pediram apoio ao "companheiro Daniel Bueno Vorcaro", descrito como "amigo nosso" e alguém que "apoia a nossa quadrilha e a nossa regional em diversos sentidos". *A informação é do ICL Notícias* , que teve acesso ao material do caso Master após a retirada do sigilo dos autos no gabinete do ministro André Mendonça, do STF.

O episódio que colocou essa relação em evidência ocorreu no CDP de Guarulhos, dias depois de Vorcaro ser transferido para a unidade. A PF identificou uma transferência de R$ 10 mil feita por Manoel Mendes Rodrigues, o Manolo, integrante da "A Turma", milícia privada que trabalhava para o banqueiro, ao advogado André Luís Chagas Bergeralck. Horas antes, Manolo discutia com o advogado como levar o recado a Vorcaro. "Primeiro ele tem que entender que tem uma força por trás que pode ajudar ele", escreveu.

A articulação, segundo os investigadores, envolveu a possível mobilização de integrantes ou pessoas relacionadas ao PCC para prestar apoio ao banqueiro durante a custódia. E não é a primeira vez que o nome da facção aparece nas conversas do entorno de Vorcaro. Em 2024, ao lidar com a recuperação de uma conta invadida no Instagram, o próprio banqueiro orientou seu operador, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, a "alinhar com o PCC".

*Amigo do PCC e financiador de Tarcísio e Bolsonaro*
Em 2022, o banqueiro que apoia o PCC doou R$ 5 milhões para financiar as campanhas de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro. O repasse saiu oficialmente de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e maior doador pessoa física das duas campanhas, com R$ 2 milhões para o então candidato ao governo de São Paulo e R$ 3 milhões para o ex-presidente, segundo dados do TSE.

Em sua proposta de delação, o próprio Vorcaro contou à PF que o dinheiro era dele e que as doações eram propina negociada com Gilberto Kassab, em troca da manutenção do contrato de cartão consignado do Banco Master com o governo Tarcísio. (https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/matheus-teixeira/politica/doacao-a-bolsonaro-e-tarcisio-eram-propina-acertada-por-kassab-diz-vorcaro/)

O mesmo Tarcísio que recebeu esse dinheiro é o governador responsável pelo maior sucateamento da Polícia Penal. A defasagem de 40% dos policiais se soma às precárias condições de trabalho em unidades superlotadas e, muitas vezes, sem as mínimas condições de trabalho.
O banqueiro apontado como apoiador do PCC, que financiou a campanha do governador, precisou pagar por proteção da própria facção justamente dentro de um sistema prisional que esse mesmo governador sucateou. Quem paga a conta desse abandono é o policial penal, que arrisca a vida todos os dias em presídios onde facções operam com liberdade suficiente para organizar proteção a um preso de luxo.

O caso Master segue em andamento, agora com o sigilo derrubado. O que os documentos também mostram é que o recado chegou rápido, o dinheiro saiu no dia seguinte e o sistema que deveria ser blindado pelo governo estadual aparece, mais uma vez, como território negociável.

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