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A Secretaria da Administração Penitenciária anunciou para o próximo 2 de junho o início dos Atendimentos Psiquiátricos para Servidores. A iniciativa, oferecida pela Coordenadoria de Saúde do Sistema Prisional, amplia o suporte voltado ao tratamento e acompanhamento de servidores que necessitem de apoio em saúde mental. 

O acesso é simples e direto. O servidor acessa o link bit.ly/3Pc02Ys , realiza um pré-cadastro e, após validação das informações, efetua o agendamento da consulta. A plataforma oferece tanto atendimentos online quanto presenciais para a Região Metropolitana de São Paulo. Para o resto do estado, as consultas são disponibilizadas de forma virtual. O serviço é gratuito e sigiloso.

O processo funciona em quatro etapas. Primeiro, o servidor faz o pré-cadastro. Depois, aguarda o e-mail de validação. Na sequência, escolhe data e horário da consulta. Por fim, a consulta fica agendada e pronta para acontecer. Simples, aparentemente suficiente. Mas aqui começa o problema que ninguém quer dizer em voz alta.

Atendimento online e pontual não substitui cuidado integrado em saúde mental. E não apaga o sucateamento e o atendimento precário oferecido pelo IAMSPE em todo estado, deixando os servidores entregues à própria sorte. Quando um policial penal enfrenta depressão severa, síndrome do pânico, ansiedade ou qualquer outra condição, ele precisa de mais que uma tela. Precisa de psicólogo, psiquiatra e até nutricionista trabalhando juntos. Precisa de um sistema que reconheça que o adoecimento mental é consequência direta do ambiente onde trabalha.

Nos primeiros quatro meses de 2026, o Sinppenal registrou quatro mortes por suicídio entre policiais penais. Quatro. Todos os casos ligados a depressão severa e síndrome do pânico adquiridas ou agravadas dentro do cárcere. 

É preciso atacar a origem do problema

Sempre é bom lembrar que, desde a semana passada, passou a vigorar a Norma Regulamentadora nº 1. Pela primeira vez, o ambiente de trabalho do policial penal deixa de ser tratado como "parte da profissão" e passa a ser oficialmente classificado como risco ocupacional. Antes, sobrecarga, assédio moral e pressão psicológica eram enquadrados como "resiliência profissional". Agora são riscos de acidente do trabalho, passíveis de fiscalização, multa e responsabilização civil e trabalhista.

A NR-1 inclui os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais de todas as instituições empregadoras do país. Na prática, significa que a SAP não pode mais fingir que não vê. O sistema penitenciário paulista reúne todos os fatores de risco: metas impossíveis, sobrecarga de trabalho, assédio moral institucionalizado que usa o regulamento disciplinar como ferramenta de abuso, falta de apoio institucional e exposição contínua à violência e ao trauma.

Com a entrada em vigor da NR-1, a SAP é obrigada a incluir os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos, tratando assédio e estresse com a mesma seriedade que trata um risco químico ou de incêndio. Precisa implementar medidas efetivas de prevenção, como canais de denúncia que funcionem de verdade, suporte psicológico real e reorganização da carga de trabalho para eliminar a sobrecarga. Precisa manter registros por 20 anos. Se um policial adoecer ou cometer suicídio, a falta desses registros ou a omissão na prevenção caracterizará culpa patronal.

O atendimento psiquiátrico que começa em 2 de junho é um passo. Mas é apenas um passo. O que falta é a SAP reconhecer que o problema não é falta de consultas online. O problema é o sistema que adoece seus servidores todos os dias.

A demissão de Wiltinho Poeta, contrariando recomendação da Procuradoria do Estado, expõe método autoritário de Tarcísio contra seus críticos_

O governo Tarcísio de Freitas demitiu o policial penal Wilton Borges Viana, o Wiltinho Poeta, em 28 de maio, numa decisão que rasgou a recomendação da Procuradoria do Estado. O órgão jurídico sugeriu suspensão de 90 dias para o agente, que trabalhava em Suzano e mantém o blog Amigos do Poeta Penal, onde publicava poemas críticos ao sistema prisional. 

O governo Tarcísio, por meio do Diretor Geral da Polícia Penal, preferiu ignorar o parecer técnico e aplicar a punição máxima, num gesto que ecoa os métodos da ditadura militar de perseguir quem ousar criticar o poder. A mensagem é clara: liberdade de expressão, no governo dele, só vale para aliados que atacam a oposição. Para um poeta que escreve sobre a realidade das prisões, o preço é a demissão sumária.

O Processo Administrativo Disciplinar nº 006.00019871/2026-85, publicado no Diário Oficial, deu o verniz de legalidade, mas a arbitrariedade salta aos olhos.  A administração enxergou nos versos de Wiltinho um festival de infrações. A primeira acusação foi a publicação de conteúdo ofensivo contra autoridades. Em vez de elogiar a gestão, ele usava a poesia para apontar problemas, o que foi interpretado como desrespeito. Em segundo lugar, a conduta teria desprestigiado a instituição. Ao expor fragilidades do sistema prisional, Wiltinho acabou colocando a própria casa em xeque, algo que a administração não perdoa. A acusação final foi a violação ética. O Código de Ética da Administração Pública Estadual, instituído pelo Decreto nº 69.328/2025, exige que o servidor mantenha postura compatível com o cargo. Publicar críticas azedas em blog público, segundo a acusação, fere esse dever.  

Quando o caso chegou à Procuradoria, cada acusação foi investigada à luz da discricionariedade administrativa. A administração tem liberdade para escolher a punição, mas precisa justificar. E aí vieram os argumentos de razoabilidade e suficiência. A Procuradoria entendeu que as infrações eram reais, mas não a ponto de exigir a demissão. O parecer destacou as circunstâncias pessoais do servidor. Wilton não era um criminoso, era um funcionário com tempo de casa, sem antecedentes disciplinares graves. Seus poemas não incitavam violência nem revelavam segredos de Estado. Detalhavam sim rotinas, mas num nível que qualquer ex-detento ou visita poderia saber. 

A Procuradoria lembrou que a pena deve ser proporcional ao dano. E, nesse caso, uma suspensão de 90 dias já seria suficiente para corrigir o comportamento e servir de exemplo. Foi citado o Decreto 69.328/2025 que trata dos deveres éticos de respeito à instituição e decoro. Mas a Procuradoria ponderou que a demissão é uma pena extrema, reservada para casos de desvio grave de conduta ou reincidência. Aqui, não havia reincidência e os desvios eram mais de forma do que de fundo. O parecer foi de suspensão de 90 dias, com perda de vencimentos e registro funcional. 

O Governo ignorou a recomendação e, com isso, deixou comprovada a perseguição política contra os servidores que ousam criticar sua gestão, que promoveu o sucateamento sistemático do sistema prisional e a desvalorização dos policiais penais. 

O Sindicato da Polícia Penal de São Paulo (Sinppenal) está mobilizado jurídica e politicamente contra a arbitrariedade do governo. A entidade vai recorrer à Justiça contra a demissão para reverter a perseguição política. Vale lembrar que Wiltinho Poeta, como é conhecido o policial, não é a única vítima dos métodos ditatoriais de Tarcísio. O presidente do Sinppenal acumula dez processos administrativos por exercer sua função sindical e denunciar as ilegalidades do sistema prisional.


Wiltinho não cometeu crime, não agrediu ninguém, não violou sigilo. Seu pecado foi fazer versos. E num estado que se diz democrático, Tarcísio mostra que prefere calar a caneta a ouvir a crítica.

O governo dos Estados Unidos declarou, na noite de quinta-feira (28/5), o PCC e o CV como organizações terroristas transnacionais. Embora, à primeira vista, tal atitude possa parecer benéfica para aqueles que enfrentam no dia a dia essas organizações criminosas, a realidade é bem diferente.
O promotor Lincoln Gakiya, um dos principais inimigos do crime organizado no Brasil já tinha alertado que, longe de ser uma medida de fortalecimento dos mecanismos de combate ao crime, essa classificação poderia dificultar a investigação das facções.

Longe dos discursos inflamados, das declarações bombásticas e dos vernizes ideológicos, o combate ao crime organizado exige um trabalho persistente, tenaz e, por vezes, silencioso.

Não existem soluções mágicas ou balas de prata, o desmonte dessas organizações depende de conhecimento, experiência e trabalho duro que, na maioria das vezes, passa despercebido.
Em suas declarações à imprensa, tanto o promotor, quanto o ex-procurador geral do estado de São Paulo, Mário Sarrubo, enfatizam que a medida vai dificultar a colaboração internacional e, consequentemente, favorecer as facções.

Gakyia explicou à imprensa que, a partir dessa classificação, a atual colaboração dos órgãos de justiça com o FBI e com o DEA (agência antidrogas americana) fica encerrada. Com a mudança, as investigações ficarão a cargo da CIA (agência de inteligência Americana) e do departamento de defesa.
Segundo Gakiya e Sarrubo, as experiências internacionais demonstram que a CIA não compartilha informações com as agências nacionais de combate ao crime, o que deve prejudicar diversas investigações em andamento no Brasil

CIA e a conivência com o tráfico de drogas

Um dos maiores perigos da mudança de classificação é que a CIA é frequentemente relacionada ao favorecimento ao tráfico de drogas em diversos países. O chamado comitê Kerry do Senado Americano (1989) determinou que CIA fez pagamentos a conhecidos traficantes de drogas e ocultou suas atividades.

Em 1988 um relatório do Inspetor Geral da CIA revelou um memorando de entendimento entre a CIA e Procurador Geral dos Estados Unidos datado de 1982 que permitia à CIA deixar de reportar traficantes de drogas que servissem aos interesses da agência.
Essas são apenas partes das evidências de que a CIA tem como prática utilizar o serviço de traficantes para fins de desestabilização política em diversos países. 

Recentemente Trump indultou Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras que cumpria uma pena de 45 anos de prisão nos EUA por contrabandear mais de 400 toneladas de cocaína para os EUA, segundo os próprios promotores americanos.

Em um momento em que o Governo Donald Trump vem atacando os interesses até mesmo de seus aliados históricos, como os países europeus, e que o Brasil se destaca como concorrente direto dos Estados Unidos em diversos setores do comércio internacional, a classificação, mais do que uma medida de confronto às facções, pode ser apenas uma jogada de manipulação.

 

Consequência econômicas

Uma das principais preocupações levantadas com a medida americana é que o Brasil possa sofrer prejuízos financeiros, uma vez que a mesma prejudica o turismo ao encarecer o seguro viagem para estrangeiros; dificulta a entrada de investimentos estrangeiros, que passam a necessitar de processos mais caros e demorados de auditoria e compliance; e inibir a inauguração de filiais de empresas estrangeiras no país, visto que a presença de organizações classificadas como terroristas em um país pesa como critério negativo neste tipo de decisões.

 

Defensores da medida não fizeram nada para combater facções


Entre um dos políticos que defendeu a classificação do PCC como organização terrorista, o Governador Tarcísio de Freitas, sequer tem feito sua parte no combate ao PCC. Durante sua gestão, vimos o sucateamento da Polícia Penal e a redução na verba para o combate ao crime organizado pela Polícia Civil. Até o momento, o Governador sequer aderiu ao  programa Brasil Contra o Crime Organizado, que disponibiliza verbas federais para o reforço da segurança das unidades prisionais.

O deputado Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança de Tarcísio, como relator do PL Anti-Facção alterou o texto dificultando o confisco de bens dos cabeças da facção e, durante a elaboração do relatório, tentou reduzir o poder de investigação da Polícia Federal.

O próprio senador Flávio Bolsonaro, que foi até Trump pedir a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, não defendeu essa medida durante a votação do PL anti-facção no senado.

É importante frisar que esses políticos, que poderiam ter um papel de destaque no combate às facções, simplesmente  ignoram a avaliação de alguns dos mais destacados especialistas na matéria, como o promotor Gakiya, que mesmo sob ameaça constante à sua vida é um dos mais destacados combatentes contra o crime organizado no país.

Tal atitude leva ao questionamento se realmente querem combater o crime, ou estão mais interessados em criar uma forma para permitir a interferência externa no processo eleitoral e para amplificar um discurso vazio que reflita bem entre seus eleitores.