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Ontem a partir das 10 horas da manhã centenas de Policiais, Penais, Civis e veteranos da PM se concentraram no vão do MASP para protestar contra o descaso do Governador Tarcísio para com a segurança pública.

O Governador que se elegeu prometendo melhorar a segurança pública e valorizar os policiais se demonstrou pior do que seu antecessor João Dória.

Quadro de pessoal defasado, baixos salários, falta de diálogo com as entidades de classe e mentiras tem sido a marca do atual Governo.

O ato foi uma forma de alertar a sociedade Paulista de que por trás dos índices manipulados e da propaganda do governo estão Policiais sobrecarregados, mal pagos e a beira do colapso.

Mesmo sob forte chuva os policiais seguiram heroicamente em passeata pela Avenida Paulista, descendo a Consolação indo até a sede da SSP gritando palavras de ordem contra as mentiras do governo Tarcísio que não cumpriu nenhuma de suas promessas de valorização das forças de segurança. 

O ato foi encerrado em frente a SSP deixando clara a mensagem que seria apenas o primeiro, visto que em pleno ano eleitoral com um governo blindado pela mídia a única forma dos trabalhadores das forças de segurança demonstrarem a realidade para a população e cobrarem o governo é saindo às ruas.


Crise crônica de pessoal

Uma das principais reclamações dos presentes foi a falta de efetivo, que sobrecarrega aqueles que estão trabalhando, enquanto por lei a PM deveria ter 93.802 policiais o quadro em janeiro desse ano era de apenas 81.594 policiais, na Polícia Civil o quadro é mais grave, são pouco mais de 27 mil policiais civis para um efetivo previsto de 41.912 , um déficit de 34 %.

Já a Polícia Penal, responsável pela maior população carcerária do país, conta com apenas 23500 homens na linha de frente, um déficit de 38%, visto que o quadro previsto é de 38083 Policiais Penais.


Quatro anos sem contratações

Se na Polícia Militar e na Civil a reclamação é de que as contratações mal cobrem as saídas, e servem apenas para desacelerar o crescimento do déficit na Polícia Penal existe um claro projeto de sucateamento. São três anos sem contratação e a certeza de que o Governo Tarcísio não vai admitir um único Policial Penal durante seu mandato.

Em janeiro de 2022 no início do Governo Tarcísio a Polícia Penal tinha 29241 cargos preenchidos, em janeiro de 2026 um levantamento feito pelo SINPPENAL no Portal da Transparência indicava apenas 23500 Policiais Penais.

O Concurso Público que foi suspenso devido a ilegalidades no edital prevê apenas 1100 vagas, número que não repõe as perdas por aposentadorias, mortes e exonerações de um ano e só resultará em contratações em 2027.


Panela de pressão prestes a explodir

Com uma população carcerária de 225.246 presos temos pela primeira vez uma média de mai de 9 preso por Polícial Penal, quase o dobro do recomendado Pela ONU e o CNPCP, se mantida a tendência de perda de pessoal e aumento da população ao final deste ano teremos menos da metade do pessoal necessário.

O aumento de agressões, motins, tentativas de fuga e violações disciplinares é fruto de um projeto de desmonte iniciado por Dória e mantido por Tarcísio. Se durante os anos Dória a redução da população carcerária reduziu a tensão e manteve o sistema seguro apesar da redução de pessoal, agora o que vemos é o inverso, um rápido aumento da população e um aprofundamento ainda maior do déficit.


Falta de valorização é uma opção política

O baixo número de inscrições para o concurso da Polícia Penal, os constantes pedidos de exoneração na PM e na civil refletem  a baixa valorização dos Policiais no estado mais rico da nação. Hoje um Guarda  Civil metropolitano em São Paulo ganha mais que qualquer carreira policial do estado, e São Paulo é o estado que pior remunera seus policiais entre os estados do sudeste. Sem incentivo financeiro, sem valorização da carreira e com uma das maiores cargas de trabalho do Brasil, as forças de segurança de nosso estado caminham para o colapso.


“O estado está nos matando”

Em sua fala no ato o Presidente do SINPPENAL Fábio Jabá, fez questão de lembrar dos Policiais Penais que tiraram a própria vida nos últimos dois meses, pedindo um minuto de silêncio em sua memória.

Jabá destacou que o excesso de trabalho, as dificuldades financeiras , o assédio constante aliado aos riscos e o estresse inerente da profissão mais perigosa da segurança pública estão destruindo a vida e a saúde dos Policiais Penais, Jabá destacou também as promessas não cumpridas como a diferença de reajuste de 14% que foi prometida pelo governo, visto que pela primeira vez a Polícia Penal não teve reajuste igual as demais forças de segurança.

Em sua fala de encerramento do ato Jabá conclamou os trabalhadores das forças de segurança a manterem a mobilização, preparando novos atos e manifestações.



 

  

É com muita tristeza que o SINPPENAL comunica o falecimento do policial penal aposentado Wladimir Pascoalato, aos 56 anos, de infarto. 

Com muitos anos atuando no sistema, ele atuou na Penitenciária de Riolândia e no CPP de Rio preto, onde se aposentou.

Neste momento de luto, o SINPPENAL apresenta suas mais profundas condolências a todos os familiares, amigos e colegas de trabalho de Wladimir Pascoalato

 

O SINPPENAL recebeu denúncias de uma agressão sofrida por um policial penal no CPP de Itaí, ocorrido nesta segunda-feira (23). A agressão teria ocorrido quando o agente conduzia o preso até a Enfermaria. Sem nenhum aviso, ele simplesmente se levantou e, mesmo algemado, teria desferido um golpe que atingiu o nariz e o olho esquerdo do policial penal, deixando hematomas.

O policial penal foi encaminhado para a Santa Casa, onde foi medicado e, posteriormente, seguiu para lavrar o Boletim de Ocorrência. Segundo consta, o preso não tem antecedentes psiquiátricos e não houve motivos para a agressão, ou seja, foi mais um caso considerado “rotineiro” na vida dos policiais penais, que estão sujeitos a insultos e violência gratuita no ambiente de trabalho, sem o menor respaldo das autoridades.

O CPP de Itaí é o mesmo que registrou um motim há alguns dias, quando presos do Pavilhão 3 se recusaram a voltar para as celas, em um protesto por melhores condições nos pavilhões habitacionais, haja vista a recorrente falta de água e energia, e as condições precárias das celas, que contam com diversos vazamentos. 

Na ocasião, o GIR (Grupo de Intervenção Rápida) foi acionado para conter o tumulto, tendo em vista o número reduzido de funcionários na unidade de Itaí, o que dificulta ações disciplinares mais significativas.

Vale lembrar, entretanto, que, antes da chegada do GIR, um dos presos do pavilhão precisou de socorro médico e os companheiros aceitaram retornar para suas celas, possibilitando o atendimento.

O CPP de Itaí, que abriga muitos presos estrangeiros, vive em constante tensão, assim como todo o sistema prisional do Estado de São Paulo, onde as péssimas condições físicas, superlotação e déficit funcional são uma triste realidade, que demonstra a desconsideração do Governo para com a segurança pública e seus agentes.