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Em 29 de junho de 2026, o CDP Praia Grande foi palco de um princípio de motim que expôs, de forma cruel, a combinação explosiva entre déficit de efetivo, despreparo operacional e conduta inadequada da gestão. O episódio, que poderia ter terminado em tragédia, escancara a irresponsabilidade do governo Tarcísio de Freitas e a inépcia do Diretor Geral, que agiu com precipitação, violência e desrespeito às normas de segurança.

O relato dos policiais penais

Por volta das 7h da manhã, agentes da unidade foram acionados para se apresentarem no CDP Praia Grande. O motivo: uma possível necessidade de utilização da célula do CIR. Ao chegarem, depararam-se com uma cena que já se tornou rotineira no sistema prisional paulista: efetivo claramente insuficiente para conter uma ocorrência.

 

No local, dois diretores de plantão, o da noite e o do dia, conduziam uma negociação com 12 detentos que precisavam ser removidos da cela. A situação, embora delicada, tinha potencial para ser resolvida com relativa tranquilidade: oito dos 12 detentos já estavam algemados e prontos para serem retirados. Bastava aguardar a conclusão da negociação e extrair esses oito primeiro, reduzindo o problema a apenas quatro detentos, um princípio básico de contenção aprendido em qualquer curso de formação.

 

Mas o que deveria ser uma operação controlada transformou-se em caos por decisões equivocadas da gestão.

 

A ordem temerária e as condutas violentas

Contra todas as orientações técnicas e treinamentos que preconizam a redução gradual do risco, o Diretor Geral determinou a entrada imediata da célula e ordenou que cada operador de armamento efetuasse dois disparos de advertência. Determinou, ainda, que não fosse utilizada granada de efeito moral, uma restrição incompreensível que limitava as opções táticas da equipe.

 

No calor da intervenção, a situação se agravou drasticamente quando o próprio Diretor Geral, que também atuava como operador, agrediu fisicamente um detento que já estava algemado e completamente contido fora da cela. A agressão a um preso já dominado e imobilizado não é apenas um ato de violência desnecessária, é uma violação flagrante dos protocolos operacionais e da lei.

 

A reação foi imediata e previsível: a massa carcerária se revoltou. Gritos, ofensas, ameaças e objetos arremessados contra a célula tomaram conta do pavilhão. O princípio de motim estava instaurado.

 

A granada que não estourou evitou o caos

Tentando conter a revolta, dezenas de disparos foram efetuados, sem sucesso. Em determinado momento, o próprio Diretor Geral lançou uma granada de dispersão de agente OC, a conhecida granada de pimenta. O que aconteceu a seguir é um retrato dos problemas que assolam a gestão: a granada falhou e não detonou.

 

A falha, por mais absurda que seja, pode ter sido a única coisa que evitou uma tragédia de proporções maiores. Caso o artefato tivesse estourado dentro do pavilhão, a dispersão do gás de pimenta em ambiente confinado teria afetado tanto detentos quanto operadores, inviabilizando a respiração, comprometendo a visão e colocando em risco a vida de todos os presentes. O que já era uma operação mal conduzida poderia ter se transformado em um massacre.

 

Acuada e sem condições de manter o controle, a célula foi expulsa do pavilhão pela revolta dos detentos. O motim estava consumado.

 

Despreparo generalizado e risco à vida dos servidores

Um dos pontos mais graves relatados pelos agentes presentes é que a maioria da célula não possui curso de formação específico para esse tipo de situação, muito menos treinamento para manuseio de artefatos como granadas de dispersão química. São profissionais jogados no fogo cruzado sem a capacitação mínima exigida, expostos a riscos administrativos, jurídicos e à própria integridade física.

 

A falta de preparo, somada ao efetivo insuficiente, transforma cada intervenção em uma roleta-russa. O governo Tarcísio de Freitas, que deixou o efetivo ser reduzido aos menores índices da história, também se omite na formação continuada daqueles que já estão na ativa.

 

Os pontos que não podem ser ignorados

Diante da gravidade da ocorrência, foi solicitado apoio do GIR 5. Com a chegada do grupo especializado, o pavilhão foi retomado, a situação controlada e a granada defeituosa foi retirada com segurança.

 

A atuação do GIR, profissional e dentro dos protocolos, conteve o motim, mas a atuação bem sucedida não deve ocultar as falhas da administração.

 

O motim só aconteceu devido a uma somatória de condições:

 

-Efetivo insuficiente, reflexo direto do déficit histórico de 39% e da omissão do governo em realizar concursos e convocações.

 

O CDP Praia Grande funciona com menos de cem policiais penais para uma população de mais de 1.000 presos;

 

-Falta de capacitação: agentes atuando em situações de alto risco sem o treinamento adequado, colocando em risco suas próprias vidas;

-Despreparo do Diretor Geral: a precipitação no uso da célula de intervenção e a agressão a um detento já algemado pelo Diretor Geral, foram o estopim para a rebelião, demonstrando despreparo emocional e técnico do gestor.

 

Questões que precisam ser respondidas

O Sinppenal tem alertado insistentemente que o deficit crítico de pessoal, somado à superlotação e à falta de condições de trabalho, está criando um risco insustentável em que uma falha pode se transformar em tragédia.

O governo Tarcísio de Freitas precisa explicar ao povo paulista e à categoria:

 

- Por que não há concursos públicos para a Polícia Penal?

- Por que os agentes atuam sem treinamento adequado?

- Por que um diretor com conduta tão temerária ainda está no cargo?

 

Entendemos que a proibição da entrada do sindicato para fiscalizar as condições de trabalho nas unidades tem contribuído para uma piora significativa nas condições de segurança, e tem sido utilizada pela atual gestão como forma de mascarar sua inépcia na gestão do maior sistema prisional do país.

 

O sindicato continuará lutando por condições dignas de trabalho, capacitação profissional, recomposição do efetivo e, acima de tudo, por gestores competentes e preparados para comandar as unidades prisionais do estado, e denunciando as falhas grosseiras da atual gestão que vêm colocando em risco a vida dos Policiais Penais e a segurança da população.

 

Um motim registrado na tarde de quarta-feira (15) no Raio 5 do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Nova Independência mobilizou equipes da Polícia Penal e do Grupo de Intervenção Rápida (GIR). Esse é o terceiro motim registrado em 2026 na unidade.

Segundo as informações obtidas pelo Sinppenal, a confusão teve início por volta das 15h30, quando presos incendiaram colchões, destruíram banheiros do pátio, arremessaram pedras de concreto contra servidores e ainda fizeram ameaças. Também foram registradas pichações com a sigla de uma organização criminosa no pátio.

Durante a ocorrência, policiais penais atuaram para conter as chamas, evitando que o incêndio se alastrasse pelo pavilhão. Diante da gravidade da situação, o GIR foi acionado e conseguiu restabelecer a ordem no local.

A atuação rápida e coordenada da Polícia Penal foi fundamental para impedir que o motim se expandisse para outros pavilhões da unidade. Após o controle da ocorrência, seis presos foram transferidos para outras unidades. Felizmente, nenhum servidor ficou ferido.

Escalada de motins
O episódio de quarta-feira não é isolado. Em abril, o CDP registrou o segundo motim do ano, quando 11 detentos se recusaram a retornar às celas por volta das 14h no Pavilhão 8, ateando fogo em colchões, quebrando paredes, espelhos e câmeras de vigilância, além de arremessar destroços contra funcionários. O Grupo de Intervenção Rápida (GIR) foi acionado e conseguiu controlar a situação. Na ocasião, os 11 detentos envolvidos foram transferidos para outras unidades.

A fórmula do caos
O CDP de Nova Independência foi projetado para abrigar 798 pessoas. Hoje, mantém 1.436 detentos, operando com 80% acima de sua capacidade. Mas o problema vai além da superlotação. As 180 unidades prisionais do Estado abrigam mais de 229 mil pessoas com um efetivo de apenas 23 mil servidores. A corporação trabalha em condições que beiram o impossível. O sucateamento é sistemático: até abril deste ano, foram registrados quatro suicídios entre servidores, dez por cento do efetivo está afastado e há um déficit de 39% de pessoal. Funcionários trabalham em unidades deterioradas, com recursos insuficientes, cercados por uma população carcerária que cresce enquanto o Estado segue negligente.

O policial penal Cleber Mota, que tem 20 anos de carreira, participa da 5ª Edição da Feira de Ficção Cristã e Cultura (Feficc), que acontece de 16 a 19 de julho, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

Mota participará do evento no estande de sua editora, a Graco, por onde publicou seus três livros pela série Prisões: “Independente do Lado das Grades" – Das celas visíveis a prisões invisíveis; “Cadeia ou Caixão?" – O paradoxo dos três C's e “O Sobrevivente" – Das prisões para a vida.

Os interessados em conhecer a obra de Cleber podem procurá-lo no estande da editora, onde o escritor receberá os leitores para autógrafos.

A entrada é gratuita. Os ingressos podem ser reservados por meio do site oficial: https://feficc.com.br/

Horários de Visitação
• Sexta-feira (17 de julho): 10h às 21h
• Sábado (18 de julho): 10h às 21h
• Domingo (19 de julho): 10h às 19h

Local: Memorial da América Latina – Av. Mário de Andrade, 664 – Barra Funda, São Paulo – SP