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O Sinppenal comunica com pesar o falecimento do policial penal aposentado Antônio Carlos Ribeiro, de 65 anos. Toninho, como era conhecido, faleceu no dia 11 de maio em decorrência de infarto fulminante. 

Toninho dedicou sua carreira ao Presídio de Iperó, onde trabalhou na cozinha e depois na muralha, antes de se aposentar. O velório foi realizado no dia 12 de maio, às 10h, no Velório Municipal de Tatuí, e o sepultamento está marcado para às 16h, no Cemitério São João Batista. 

Neste momento de dor, o sindicato se solidariza com a família, amigos e companheiros de trabalho neste momento de dor.

 

Anderson Alvim de Almeida realizou um sonho que vai muito além do tatame. O policial penal de Iperó se tornou campeão brasileiro de jiu-jitsu na categoria pesadíssimo, coroando uma trajetória marcada por disciplina, fé e superação. Anderson integra o Grupo de Intervenção Rápida (GIR) 1 de Sorocaba, onde trabalha como IT.

Conquistar um título dessa magnitude exigiu bem mais que força física. Anderson reconhece que cada vitória no caminho até o pódio foi construída com o apoio de pessoas que acreditaram nele, especialmente seus mestres, família e amigos. 

O policial prestou uma homenagem a todos os que o acompanharam nessa jornada e deixou um agradecimento especial aos seus professores Haryn e Lucas. "Eles fizeram muito mais que ensinar técnicas de combate, ensinaram valores que me formaram como pessoa e como atleta", disse.

Anderson diz que essa vitória não é sua apenas. Ela carrega consigo o esforço de seus mestres, a dedicação que eles depositaram nele e o coração que colocaram em cada ensinamento. “Muito obrigado por o transformarem não só em um campeão, mas em alguém mais forte, mais disciplinado e mais preparado para encarar os desafios que a vida apresenta”, completa.

 

Há 20 anos, em 12 de maio de 2006, São Paulo se viu refém de uma onda organizada de ataques que paralisou a maior metrópole das Américas.Atentados contra trabalhadores da segurança pública, viaturas, delegacias de polícia e prédios públicos tomaram o Estado de refém e aterrorizaram a cidade. No lado de dentro dos presídios eclodiram rebeliões simultâneas em 74 unidades prisionais espalhadas pelo estado.

Os atos de violência foram a reação do PCC à decisão da SAP de transferir 765 presos considerados lideranças da facção para a PII de Venceslau. O movimento escalou a tal ponto que, no dia 14, a onda de violência já atingia Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

Ao todo 251 ataques deixaram um saldo de 52 membros de forças de segurança mortos, sendo 16 agentes penitenciários, 25 policiais militares, 8 policiais civis e 3 guardas municipais. Proporcionalmente ao efetivo, nossa categoria foi a mais atingida pela facção.

O saldo da onda de violência foi a morte de 505 civis e 59 agentes públicos. 90 ônibus foram queimados e a maior cidade do país ficou paralisada.

A reação das autoridades foi descoordenada. Apesar de a Polícia Federal avisar o Governo do Estado, sob o comando de Cláudio Lembo, que escutas indicavam o planejamento de rebeliões e de a SAP saber dos riscos, os policiais e os então agentes penitenciários não foram avisados. Todos foram pegos de surpresa com os ataques. Para piorar, Lembo recusou a ajuda do Governo federal para conter a onda de ataques.

No dia 16 de maio, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria afirmando que o governo de São Paulo teria feito um "acordo" com o PCC para encerrar o conflito. Após uma reunião entre autoridades e sentenciados em Presidente Venceslau, os ataques cessaram.

O ex- Secretário de Administração Penitenciária Nagashi Furukawa afirmou, em 2008, que acreditava na existência de um acordo, citando a "redução radical na ocupação de celas RDD" após a sua gestão.

Nos dias de hoje, muitos se perguntam como uma organização criminosa surgida em 1993 no anexo da Casa de Detenção de Taubaté conquistou tanto poder. A resposta, embora possua inúmeros fatores complexos, pode ser resumida de forma simples: descaso do Estado.

Durante muitos anos os então agentes prisionais denunciavam o crescimento e estruturação do PCC, o então SIFUSPESP (hoje SINPPENAL) constantemente denunciava o crescimento da organização criminosa, sendo desmentido pelas autoridades.

Após uma série de rebeliões em 2001, o delegado Godofredo Bittencourt, responsável pelas investigações contra o crime organizado, afirmou que "se o PCC tinha uma boca cheia de dentes, agora tem um dentinho ali e outro lá. Não morde mais ninguém".

Só que a realidade era muito diferente. Desde 2001 sob o comando de Marcola, o PCC passou a monopolizar o tráfico de drogas no estado e a agir como uma “governança criminal”.

Pesquisadores afirmam que o monopólio da facção sobre o crime no estado fez cair o número de homicídios de 50 mortes por grupo de 100 mil habitantes para 10 mortes a cada 100 mil em 2013. Tal hipótese se justifica quando verificamos que as disputas entre quadrilhas figuram entre as principais causas de mortes violentas no país.

O risco não acabou

Hoje o PCC se apresenta como um risco à segurança nacional. Operações como a Carbono Oculto demonstram a infiltração da facção no mercado financeiro e fortes ligações com políticos. Algumas linhas de investigação demonstram que o Banco Master de Daniel Vorcaro atuava no esquema de lavagem de dinheiro da organização criminosa.


Ao contrário de seu início, quando pregava o fim da “opressão nos presídios”, hoje a facção mais parece uma multinacional, presente em mais de 23 países e com faturamento medido em bilhões, atuando desde o contrabando de cigarros e tráfico internacional até na fraude de licitações de saúde, transporte e coleta de lixo.  Levantamento do MP de São Paulo revelou que o faturamento da facção aumentou de R$12 milhões para R$2 bilhões em 20 anos. (Leia aqui https://noticias.uol.com.br/colunas/josmar-jozino/2026/05/12/faturamento-do-pcc-aumentou-de-r-2-mi-para-us-2-bi-em-20-anos-diz-mp-sp.htm)

Acusados de lavar dinheiro para a organização frequentam as colunas sociais e doam fortunas para candidatos a cargos executivos em todos os níveis, deixando dúvidas sobre até qual nível o PCC se infiltrou nos círculos de poder do estado e do País.

Ao lermos a opinião de especialistas e políticos sobre a evolução do combate ao crime organizado no país, vemos que a maioria fala em novos tipos penais, formas de combate à lavagem de dinheiro, agências especializadas e acordos internacionais. Mas nenhum deles menciona a necessidade de combater essa organização onde ela surgiu e se multiplicou, o sistema prisional. A falta de estrutura, de profissionais e de condições de trabalho foi o que permitiu a criação e expansão do PCC.

Em 2006, tínhamos 144 mil presos no estado de São Paulo, com um quadro de XXX servidores. Hoje temos 228 mil com um quadro de pouco mais de 23 mil Policiais Penais. Superlotação, falta de estrutura e condições mínimas tornam as unidades verdadeiros barris de pólvora, enquanto isso o Congresso tenta aprovar medidas que permitem a entrada de empresas terceirizadas na gestão e segurança dos presídios. (Leia Aqui) 

Devemos lembrar que boa parte do trabalho de inteligência contra o PCC sai de dentro das unidades prisionais, da observação atenta dos Policiais Penais. Sem uma boa inteligência prisional é impossível falarmos de combate ao crime organizado. Como esperar que um policial exausto, sobrecarregado e mal pago tenha capacidade de observação?

O desmonte da Polícia Penal do Estado de São Paulo e  a insistência do Governo Tarcísio em negar o caos que se tornou o maior sistema prisional da América Latina criam um grave risco à sociedade. O risco não é apenas o do fortalecimento ainda maior da facção, mas de uma nova explosão de caos que novamente venha desestabilizar a sociedade e ceifar vidas.