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Quando um policial penal denuncia pão mofado servido no plantão, quando denunciam o aumento do suicídio de colegas por causa das más condições de trabalho, quando denuncia que faltam colegas para cobrir as escalas e quando expõe o descaso do governo com a categoria, o que ele recebe em troca? Um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Um, não. Nove! Nesta semana foi publicado no Diário Oficial do Estado o nono PAD instaurado contra Fabio Jabá, presidente do Sinppenal.

A irregularidade começa já na origem. Jabá não foi sequer informado sobre o teor da denúncia que fundamenta o processo. Como se defende de supostas acusações que desconhece? A publicação no Diário Oficial do Estado de São Paulo, em 16 de abril de 2026, traz o despacho do Corregedor-Geral da Polícia Penal instaurando o PAD sob a alegação de violação de deveres funcionais e preceitos éticos, com pena máxima de demissão. Mas qual seria exatamente a falta? Isso permanece nebuloso.

O timing não é coincidência. Semanas antes dessa publicação, o Sinppenal denunciava publicamente o sucateamento das unidades prisionais, a falta de pessoal que sobrecarrega os policiais penais e as condições sanitárias precárias. Jabá, que já havia se afastado para tratamento de saúde após oito anos de luta sindical contra perseguições, retorna justamente para enfrentar mais essa investida.

Tarcísio, que se elegeu com a promessa de valorizar as polícias, não só não cumpriu a promessa, como instaurou uma gestão marcada pela postura antissindical e antidemocrática. A Secretaria de Administração Penitenciária proíbe a entrada de entidades sindicais nas carceragens, impedindo a fiscalização das condições de trabalho. Quando o sindicato tenta cumprir seu papel legal, é respondido com processos disciplinares contra seus dirigentes. Essa é a lógica do silenciamento: não conseguem refutar as denúncias, então tentam calar quem as faz.

Tarcísio de Freitas chegou ao Palácio dos Bandeirantes prometendo valorizar as forças de segurança. Com a Polícia Penal, essas promessas viraram pó. Sem reajuste, sem pessoal, sem respeito. E quando alguém levanta a voz, vem o PAD. Quando alguém denuncia, vem a perseguição. Quando alguém insiste em defender a categoria, vem a ameaça de demissão.

Tarcísio usa os PADs como instrumentos de vingança política. Isso tem que parar. A tão proclamada liberdade de expressão, que seu grupo político exalta, tem que valer também para quem denuncia o pão estragado e o déficit funcional que mata de trabalho.

O Sinppenal segue de pé. Nove PADs não intimidam uma entidade que representa policiais que enfrentam diariamente as ameaças do crime organizado sem se dobrar. Essa perseguição é apenas mais uma prova de que a voz deles está incomodando lá em cima. E enquanto houver policiais penais sendo desvalorizados, haverá quem levante a voz. Nem todos os processos disciplinares do mundo vão mudar isso.

 

O secretário de Administração Penitenciária, Marcello Streifinger, confirmou na Comissão de Segurança Pública e Assuntos Penitenciários que não há qualquer previsão de reajuste salarial para a Polícia Penal. Não se trata de uma limitação orçamentária inevitável, como tenta vender o governo. É uma escolha política de Tarcísio de Freitas, tão clara quanto o desrespeito que marca sua gestão com a categoria.

Quando questionado sobre a Polícia Penal ter ficado de fora do projeto de lei de valorização das forças policiais, Streifinger tentou justificar o injustificável: "Não houve esquecimento ou descaso, Tarcísio não concedeu os 10% de aumento para a Polícia Penal por uma limitação orçamentária". A narrativa não convence nem quem historicamente apoiava o governador. 

Durante a reunião, o deputado Reis (PT) foi direto ao ponto: "Valorizar a polícia foi uma promessa de campanha de Tarcísio. Ele prometeu que as polícias de São Paulo estariam entre as 10 mais bem pagas do país, mas a Polícia Penal foi esquecida. Essa é a segunda vez que o governador deixa os policiais penais de fora dos projetos de valorização".

Até Major Mecca, um dos apoiadores históricos de Tarcísio, não conseguiu engolir a afronta. "Todos os policiais estão insatisfeitos e frustrados com a gestão do governador Tarcísio de Freitas por conta do compromisso que ele assumiu e não cumpriu. No estado de maior poderio econômico desse país, é inaceitável termos as polícias mais mal pagas. Falar que não tem dinheiro para dar aumento para polícia é porque está gerindo muito mal os recursos", disparou o deputado.

A verdade que ninguém quer dizer em voz alta é que a falta de reajuste não é negligência. É estratégia. É parte de um plano deliberado de precarização salarial para forçar os policiais penais a dependerem do DEJEP, aquele complemento de jornada extra que virou a tábua de salvação de quem ganha pouco demais para viver. Obrigar o policial a fazer DEJEP é uma forma de economizar com a contratação. 

A Polícia Penal tem 23.282 servidores para uma população prisional que cresce continuamente e deve ultrapassar 240 mil até o final de 2026. O DEJEP cobre apenas 9,2% do déficit de pessoal. Isso significa que mesmo com o aumento de DEJEPs em 2026, a carga de trabalho do policial penal será superior à do ano anterior. É uma piora constante, disfarçada de solução. 

Streifinger admitiu que o sistema é um "esparadrapo": existem 26 mil DEJEPs contra apenas 23 mil policiais penais disponíveis. Cada policial acumula, em média, um serviço extra. As DEJEPs são remuneradas e buscadas desesperadamente pelos servidores como complemento salarial necessário porque os salários base são insuficientes.

 

 

O SINPPENAL lança um apelo urgente a todos os seus associados, familiares e amigos: 

Neste momento, quem precisa da sua solidariedade é a Policial Penal Lígia Veiga, da unidade de Registro, que esteve internada no Hospital CHS de Sorocaba e tem utilizado bolsas de plaquetas l. Para garantir que ela e outros pacientes continuem recebendo atendimento imediato, o estoque precisa ser reposto com urgência.

Solidariedade que corre nas veias


Sabemos que os Policiais Penais nunca deixa um companheiro na mão. Agora, o chamado é para estender essa corrente de apoio à família de quem também faz parte da nossa história. Doar sangue é um ato simples, rápido e seguro, mas que pode significar a diferença entre a vida e a morte.

Onde doar?

Colsan Sorocaba: Av. Comendador Pereira Inácio, 564 – Sorocaba – SP  

Telefone:(15) 3224-2930 / 3332-9461  

Horário: Segunda a sábado, das 7h às 12h30** (exceto feriados)  

Estacionamento gratuito no local.

Como fazer sua doação valer para a Sra. Lígia Veiga?

Durante o cadastro, informe o nome da paciente e o hospital onde ela esteve internada:**

Nome:Lígia Veiga  

Hospital: CHS de Sorocaba

Assim, a doação é direcionada para ajudar diretamente no reabastecimento usado por ela e outros pacientes da unidade.