Trabalhar no sistema prisional nunca foi fácil. Quem atua nessa área sabe que carrega o peso de manter a ordem e a custódia de milhares de pessoas privadas de liberdade. Mas o que os policiais penais da Base de Escolta de Santana estão vivendo vai muito além do que qualquer profissional deveria enfrentar. Relato enviado por um servidor da unidade ao Sinppenal revela um sistema prisional que está à beira do colapso.
As denúncias chegam ao Sinppenal com histórias que se repetem: estrutura física deteriorada, equipamentos obsoletos, falta de uniforme e de material básico de higiene. O pátio da unidade vira um lamaçal toda vez que chove um pouco mais forte, e isso dificulta até o movimento das poucas viaturas que ainda funcionam. Dentro das instalações, os banheiros estão em péssimas condições e faltam produtos básicos de limpeza. O resultado? Os próprios servidores precisam tirar do bolso para comprar o mínimo necessário para manter o lugar minimamente higiênico.
Os agentes usam fardamento desgastado pelo tempo. Isso não é só uma questão de aparência, afeta a dignidade da profissão e a identificação visual que é essencial em operações de rua. Quanto ao armamento, a situação é preocupante. Faltam fuzis na unidade e os servidores trabalham com submetralhadora FAMAE .40, considerada obsoleta para enfrentar facções criminosas que têm acesso a armas de guerra. No curso de nivelamento, faltam materiais como coldre e colete para as aulas.
O sistema prisional opera com 39% de déficit no quadro de policiais penais. Quem permanece no sistema, acaba tendo que cobrir buracos na escala, fazer trabalho que deveria ser dividido entre muito mais gente. O cansaço físico e mental é real e provoca o aumento dos casos de problemas na saúde mental. Quando você junta falta de pessoal com estrutura sucateada, o resultado é um efeito cascata que atrapalha qualquer eficiência.
A frota que não dá conta
Um dos maiores problemas relatados na denúncia é a frota insuficiente: há apenas 17 viaturas operacionais para atender toda a região metropolitana de São Paulo. É impossível dar conta da demanda, presos precisam ser transportados para audiências, atendimentos médicos, e tudo fica represado. E as viaturas que estão circulando, muitas vezes, também estão sucateadas. Segundo a denúncia, tem viatura circulando sem farol e sem vedação nas portas. Os servidores ficam expostos ao tempo e ao barulho durante trajetos longos.
Viaturas de segurança pública deveriam ser trocadas a cada 2 ou 3 anos pois o desgaste é intenso. As mais novas, modelo Tigo 8, chegaram em janeiro de 2023 (foram 191 unidades), mas o uso constante acelera o sucateamento. Quanto mais velha a frota, mais tempo parado e maior o gasto com a manutenção. E quando uma viatura quebra na rodovia com presos de alta periculosidade? O risco de resgate ou fuga sobe exponencialmente. Os policiais ficam desprotegidos.
Diante de tudo isso, os policiais penais de Santana começaram a fazer rateios para comprar material básico. Higiene, itens de escritório para registrar ocorrências, tudo sai do bolso de quem já ganha pouco e trabalha demais. O Sinppenal entende que o caso de Santana é o retrato de uma crise estrutural que o sindicato vem denunciando há tempos. Falta investimento em viaturas, falta uniforme, o armamento é ultrapassado e há um descaso total com as condições mínimas de trabalho. Tudo isso é um ataque direto à dignidade de quem está na linha de frente.
Por isso, o Sinppenal encaminhará ofício ao DGPP pedindo providências urgentes. Porque quem trabalha na segurança pública merece dignidade e respeito!
O policial penal Reginaldo Sérgio da Silva, da Penitenciária Nilton Silva de Franco da Rocha, morreu recentemente vítima de um AVC. Além de toda dor e sofrimento, sua esposa Mara está passando por dificuldades financeiras e precisa de nossa ajuda.
Para ajudar financeiramente a família, amigos do Reginaldo organizaram uma rifa solidária. Cada número custa R$ 20,00 e dá direito a concorrer a um prêmio de R$ 200,00, transferido via Pix para quem tiver sorte.
Além da participação na rifa, também são aceitas doações de qualquer valor, revertidas integralmente para Mara neste momento de recomeço.
Quem quiser contribuir pode enviar o valor para a chave Pix Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Os organizadores garantem transparência total em toda a movimentação. O extrato da conta usada para receber os valores foi retirado zerado antes do início das arrecadações, e um novo extrato atualizado será divulgado assim que a campanha for encerrada, junto ao comprovante da transferência final para Mara.
Mais informações sobre a rifa podem ser obtidas diretamente com Simone ou Xuxa, pelos telefones (11) 95907-8395 e (11) 99997-3980.
A iniciativa reforça algo que move a categoria desde sempre, o cuidado de uns com os outros nos momentos mais difíceis. Reginaldo dedicou parte da vida ao trabalho dentro do sistema penitenciário, e agora são os próprios colegas de farda que se organizam para retribuir esse compromisso, oferecendo à família dele o amparo que a categoria costuma oferecer quando alguém precisa.
Quem já passou por uma perda assim sabe que gestos simples fazem diferença.
O Sinppenal lamenta com pesar o falecimento de Erik Ricardo Cesco, oficial administrativo que atuava em Tupi Paulista. Cesco faleceu no último sábado (04/07), aos 53 anos.
Ele deixa a esposa, além de familiares e amigos que agora enfrentam o peso dessa despedida. O velório ocorreu na tarde de domingo, no Velório Municipal de Tupi Paulista. O cortejo fúnebre partiu às 16h em direção ao cemitério local, encerrando o momento de despedida presencial com quem o acompanhou em vida.
O Sindicato da Polícia Penal de São Paulo se solidariza com a esposa, os familiares, os amigos e os colegas de trabalho de Erik Ricardo Cesco neste momento de dor. Que a memória de seu jeito acolhedor e do trabalho bem feito permaneça viva entre quem teve o privilégio de conhecê-lo.
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