Enquanto policiais penais participam de cursos obrigatórios de nivelamento, deveriam estar focados em seu aperfeiçoamento técnico e operacional. O que não deveriam estar fazendo é passando fome, desesperados por um banheiro ou desidratados sob o sol em unidades completamente desorganizadas. Mas foi exatamente isso o que aconteceu no dia 13 de maio durante um curso de nivelamento na unidade de Franco da Rocha, destinado aos policiais penais lotados no Complexo de Pinheiros. O Sinppenal recebeu relatos tão perturbadores sobre as condições daquele dia que resolveu enviar um ofício formal ao Diretor Geral da Polícia Penal do Estado de São Paulo, Rodrigo dos Santos Andrade, solicitando investigação e providências imediatas.
Os policiais que participaram do treinamento descrevem uma situação de descaso institucional que beira o absurdo. Durante um período integral de curso, ninguém recebeu sequer uma refeição. Água potável, ponto. Nada mais. Enquanto isso, servidores com diabetes e outras condições de saúde que exigem controle alimentar ficaram em total desamparo, sem qualquer possibilidade de gerenciar sua própria saúde durante o expediente.
Se alimentação já era crítica, a infraestrutura era inexistente. Os agentes denunciaram não ter acesso nem a banheiros decentes na unidade onde ocorreu o treinamento. Imagine passar um dia inteiro de formação obrigatória nessas condições. O cansaço, a frustração, a desvalorização que um profissional sente quando o Estado não consegue nem garantir o básico para que ele se prepare adequadamente.
A irresponsabilidade tem um custo real
O Sinppenal aponta no ofício que um policial penal submetido a um dia inteiro de treinamento de tiro sem alimentação adequada e sem acesso a instalações sanitárias mínimas não reúne condições físicas ou cognitivas para um desempenho seguro e eficaz. Isso não é exagero.
Quando você coloca alguém cansado, desidratado e faminto para manusear armas e executar procedimentos técnicos, você não está apenas negligenciando um servidor, está colocando em risco o próprio policial penal, os instrutores do curso e a sociedade inteira que depende de agentes em plenas capacidades laborais para manter a segurança prisional funcionando.
Isso não é novo, é um padrão
O Sinppenal reforça no ofício que esse não é um caso isolado. São frequentes as denúncias sobre falta de estrutura de apoio adequada para os policiais penais que realizam cursos em unidades diversas da de sua lotação. Isso denota falta de orientação institucional no assunto. Ninguém está coordenando. Ninguém está garantindo que, independentemente de onde um policial participe de um curso obrigatório, ele tenha acesso a alimentação, água e banheiros.
O ofício formal solicita investigação imediata dos fatos ocorridos em Franco da Rocha e adoção de providências permanentes. Isso inclui fornecimento regular de alimentação adequada em todos os cursos, atenção especial para policiais com condições de saúde que demandem controle alimentar e acesso garantido a instalações sanitárias decentes.
O que deveria ser um processo simples virou um caos administrativo. As novas identidades funcionais da Polícia Penal de São Paulo começaram a chegar aos servidores, mas o que deveria trazer segurança e reconhecimento profissional chegou carregado de erros, inconsistências e uma desorganização que beira o inacreditável.
O Sinppenal vem recebendo relatos de problemas que vão além de simples equívocos burocráticos. Policiais que possuem porte de arma chegaram a descobrir que a informação não consta em sua funcional. Outros receberam documentos com fotos tão antigas que mal conseguem se reconhecer nelas porque alguns setores de RH não convocaram os servidores para atualizar sequer a imagem. Alguns companheiros da mesma unidade receberam a funcional enquanto outros continuam à espera, sem qualquer explicação.
O problema mais grave? Quando o policial tira a funcional do envelope, o documento impresso parece estar correto. Mas quando o código QR é lido no sistema, aparecem dados completamente diferentes. Um servidor relatou que sua funcional consta como "AGENTE" com lotação na "COREMETRO", quando na verdade ele possui cargo e local de lotação totalmente diferentes. É como portar um documento que nega sua própria identidade profissional.
O erro torna-se mais grave pelo fato de que o próprio DGPP em ofício encaminhado ao Delegado Geral da Polícia Civil indica que a forma de validação da identidade funcional é deve ser feita através do código QR.
Tudo isso acontece porque o processo de recadastramento foi feito de forma completamente desorganizada. Se a administração estadual tivesse iniciado esse procedimento em dezembro de 2024, ou no início de 2025, logo após a criação da Polícia Penal, as coisas poderiam ter fluído com alguma organização. Mas não. Esperou-se até agora para descobrir que ninguém estava realmente coordenando nada.
A funcional é mais que um documento, é segurança
A identidade funcional não é um acessório. Para um policial penal, é a comprovação de sua legitimidade profissional, sua proteção legal diante de situações de risco. A demora já passa de um ano enquanto ofícios protocolados e reuniões exaustivas acontecem desde 2024 sem que o governo apresente qualquer solução prática.
Lembre-se: o uniforme oficial também foi publicado no Diário Oficial há um ano e cinco meses e ainda não foi entregue. A Polícia Penal continua trabalhando sem identificação clara ou vestimenta adequada. Essa falha administrativa transformou-se em insegurança jurídica e física real.
Se você recebeu sua funcional com problemas, informe o sindicato
Se você é servidor da Polícia Penal e recebeu sua identidade funcional com erros, inconsistências, fotos desatualizadas ou divergências entre o documento impresso e o sistema, entre em contato com o Sinppenal imediatamente.
O WhatsApp é 11 97865-3764. Você pode enviar fotos para mostrar o problema. O sindicato precisa de todos esses relatos documentados para cobrar do governo uma solução definitiva.
O Sinppenal vai encaminhar um ofício ao governo questionando por que as funcionais chegam desatualizadas e repletas de erros , além de cobrar um prazo sobre o fornecimento do documento aos aposentados. Mas para que essa cobrança tenha peso, ela precisa estar fundamentada nos problemas reais que estão acontecendo nas mãos dos servidores.
O Sinppenal comunica, com profundo pesar, o falecimento do policial penal Thiago Rodrigues dos Santos, de 43 anos. Conhecido entre os colegas como Maca, ele atuava na Base de Escolta de Mirandópolis e sofreu um infarto fulminante no dia 13 de maio.
O Sinppenal se solidariza com os colegas da Base de Escolta de Mirandópolis, que perdem não apenas um profissional, mas um companheiro de jornada que, como tantos outros, carregava no peito o peso de uma profissão que, muitas vezes, custa a nossa vida.
Para aqueles que desejam prestar as últimas homenagens, o velório começou às 8h30 no Cerimonial Cardassi, em Mirandópolis. A despedida definitiva ocorrerá no Crematório Cardassi, às 17h.
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