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Decisão inédita em Santa Catarina reconhece déficit crítico de agentes e pode abrir precedente para todo o país: SINPPENAL vai recorrer ao Judiciário com dados ainda mais alarmantes




O Departamento Jurídico do  SINPPENAL já está estudando o melhor caminho jurídico para  obrigar o Governo de São Paulo a contratar imediatamente novos policiais e apresentar um plano de recomposição do quadro de pessoal conforme já foi recomendado pelo Tribunal de Contas do Estado há mais de cinco anos.

A decisão foi motivada por uma sentença histórica da 1ª Vara da Fazenda Pública de Joinville (SC), que condenou o Estado de Santa Catarina a recompor o efetivo do Presídio Regional de Joinville, reconhecendo a omissão estatal diante do déficit crítico de policiais penais.


O caso catarinense, julgado pelo juiz Cesar Otavio Scirea Tesseroli, determinou que o Estado promova a ampliação do quadro de servidores no prazo de 18 a 24 meses, tomando por base a proporção de 1 policial para cada 5 presos, conforme estabelece a Resolução n. 9/2009 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) .


O magistrado considerou que a manutenção de proporção muito distante dos parâmetros técnicos configura “omissão estatal consistente na não implementação de efetivo mínimo adequado”, comprometendo o funcionamento do sistema e a garantia de direitos fundamentais.


Diante desta decisão, o sindicato buscará coordenação com entidades da sociedade civil e de defesa dos direitos humanos, utilizando a mesma estratégia empregada no combate à privatização dos presídios durante o Governo Dória.




A realidade de São Paulo: um abismo ainda maior


Enquanto Santa Catarina foi condenada por uma proporção de 1 policial para 12 a 13 presos em Joinville, a situação paulista é muito mais grave. Dados oficiais do sistema prisional de São Paulo revelam um cenário de colapso:


Quadro Geral do Sistema Paulista:

Com 20.141 policiais penais para 229.397 presos

A proporção média é de 1 agente para 11,4 detentos, mais que o dobro do limite recomendado (1:5) porém o Estado tem 63 unidades em que esta média é pior, operando com 15, 20 policiais penais por presos. Em alguns casos extremos, como os CPPs "Prof. Ataliba Nogueira", de Campinas, e CPP "Dr. Edgard Magalhães Noronha", de Tremembé, a média chega a mais de 30 presos por policial penal.

Déficit real por turno é bem pior, se considerarmos a divisão em 4 plantões, a média é de 1 policial para cerca de 45 presos. Algumas unidades operam com a média absurda de mais de 129 presos por policial.


Essa  é uma situação de risco extremo, com efetivo insuficiente para qualquer padrão mínimo de segurança.


Segundo os dados compilados pelo SINPPENAL, apenas 14 unidades operam dentro dos padrões estabelecidos pelo CNJ, provando que a crise é generalizada. 


Inércia de quatro anos e recusa de reajuste


O Estado de São Paulo não realiza novos concursos para a área de segurança desde 2017, sendo as últimas contratações realizadas em 2022, o que configura “omissão estatal específica e continuada”.


A categoria também foi excluída do reajuste salarial de 10% concedido às demais polícias paulistas. O secretário da Administração Penitenciária, Marcello Streifinger, justificou a exclusão por “limitação orçamentária” e admitiu que o déficit atual de policiais penais é de cerca de 30%, com 24 mil agentes em atividade frente a uma necessidade de 34 mil. Considerando áreas administrativas e de saúde, esse número pode chegar a 40%. Porém os números atualizados mostram uma realidade bem pior.






Fundamentos jurídicos da ação paulista


O SINPPENAL estruturará a ação com base nos mesmos fundamentos que levaram à condenação de Santa Catarina, mas com dados ainda mais contundentes:


Violação da Resolução n. 9/2009 do CNPCP — O Estado de São Paulo opera com proporção média de 1:11,4, mais que o dobro do limite máximo de 1:5 estabelecido pela norma técnica .


Omissão estatal prolongada

São Paulo está há quatro anos sem contratações, e nove anos sem concursos, com o concurso em andamento prevendo a contratação de apenas 1100 policiais, número inferior à perda de pessoal em um único ano.

Tais fatos, somados à inexistência de um plano de reposição de pessoal solicitado pelo Tribunal de contas do Estado há mais de cinco anos, comprovam a ausência de planejamento e a inércia administrativa.


Danos a direitos fundamentais

 A superlotação e o efetivo insuficiente inviabilizam:

- Acesso à saúde e escoltas para atendimentos médicos

- Direito de visitação de familiares e acesso à justiça

- Integridade física de servidores e presos

- Assistência educacional, laboral e social


Um estudo realizado pelo CONDEPE demonstrou que, entre 2024 e 2025, 22.814 atendimentos médicos não ocorreram por falta de escolta, o que serve como um demonstrativo claro de como a falta de policiais afeta a garantia de direitos fundamentais.



  1. Desigualdade entre unidades — A distribuição desigual do efetivo viola o princípio da isonomia, com algumas unidades operando com uma carga de trabalho até 6 vezes superior.

O que o SINPPENAL vai pedir à Justiça


A entidade requererá, em caráter liminar:


- Plano de recomposição do efetivo no prazo de 90 dias, com metas anuais e semestrais

- Adequação progressiva à proporção de 1:5 em até 18 meses, com prioridade para unidades com índices superiores a 1:15

- Proibição de remoções de policiais das unidades mais deficitárias até a apresentação do plano


No mérito, o sindicato pedirá a condenação do Estado de São Paulo à obrigação de fazer, consistente na realização de concurso público e contratação imediata de policiais penais, sob pena de multa diária em caso de descumprimento.




Agora é a hora da resposta


Fábio Jabá, presidente do SINPPENAL, afirmou que a categoria está mobilizada e que o momento é de cobrar ações concretas.


“O que aconteceu em Santa Catarina prova que o Judiciário pode e deve intervir quando o Estado se omite. Em São Paulo, a situação é muito pior. Temos dados oficiais que comprovam o colapso do sistema. Não vamos aceitar mais promessas vazias. Este é o momento de dar uma resposta ao governador e exigir condições dignas de trabalho e segurança para os policiais penais e para a população carcerária.”


A entidade destaca que, em 2026, a situação se agravou ainda mais com a exclusão da categoria do reajuste salarial e a contínua falta de contratações .

Dia 23 de junho às 10h os policiais penais de São Paulo tem um compromisso com sua liberdade, a Frente Parlamentar em defesa da Polícia Penal vai realizar uma audiência pública contra as perseguições que vem sendo feitas contra os policiais penais que ousam denunciar as péssimas condições de trabalho e as a falta de pessoal nas unidades prisionais.

Além das perseguições contra os dirigentes do SINPPENAL e a proibição do sindicato fiscalizar as condições de trabalho nas unidades, centenas de policiais penais respondem PADs, meramente por cobrar o Governador Tarcísio de Freitas o cumprimento de suas promessas.

Existem ainda demissões absurdas como a do policial penal  Márcio Abdala, demitido por dar voz de prisão a uma visitante que o ameaçou de morte e de Wiltinho Poeta, demitido devido a seus poemas que denunciam os desmandos vividos pelos policiais penais de São Paulo.

As perseguições e o assédio moral contra aqueles que ousam levantar suas vozes contra o desmonte sofrido pela Polícia Penal ,se somam a tensão constante nas unidades prisionais superlotadas e com poucos servidores. Este cenário em que o regulamento disciplinar é utilizado como ferramenta de assédio, vem adoecendo os policiais penais e demais servidores e tornando as unidades ainda mais inseguras, visto que ao ocultar os erros e irregularidades  a Secretaria cria graves problemas de segurança.

Além do Deputado Reis que convocou a audiência, estão confirmadas a presença dos Deputados Caio França e Carlos Giannazi.

Para facilitar a participação de todos a audiência será realizada de forma híbrida com participações ao vivo e por videoconferência.

A audiência Pública será realizada dia 23/06 a partir das 10 h no auditório Franco Montoro da Alesp. 

Três presos fugiram do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de São Vicente após montar uma pirâmide humana para ultrapassar a área interna e pular o alambrado da unidade. Os detentos estavam separados porque não participariam da saidinha e aproveitaram a oportunidade para escapar nesta terça-feira (16). 


A Polícia Militar foi acionada logo em seguida e o helicóptero Águia foi despachado para auxiliar nas buscas. Os fugitivos foram avistados por último a pouco mais de 200 metros de distância do presídio, segundo informações repassadas ao Sinppenal, mas ainda não foram recapturados.


O CPP São Vicente foi projetado originalmente para funcionar como Centro de Detenção Provisória feminino, mas hoje abriga uma população carcerária que ultrapassa em muito a capacidade ideal. A unidade tem capacidade para 827 presos, mas atualmente comporta 1.063 detentos, o que representa uma superlotação de 29%. 


O efetivo de policiais penais responsáveis pela segurança da carceragem é de apenas 78 servidores distribuídos em quatro turnos, resultando em uma proporção de um agente para cada 13 detentos. A recomendação do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária e do Conselho Nacional de Justiça, para o bom funcionamento das unidades, é que cada policial penal se responsabilize por um grupo de apenas cinco pessoas.


A fuga expõe a fragilidade dos controles físicos da unidade, que conta com seis torres de vigilância frequentemente desguarnecidas por causa do déficit funcional de 39% que atinge a Polícia Penal e o sistema como um todo. Com menos profissionais do que o necessário e torres de vigilância sem ocupação regular, o contorno externo da carceragem fica vulnerável a tentativas de escape. 


A superlotação agrava ainda mais o cenário, já que a rotina de uma unidade com 29% mais presos do que a capacidade projetada dificulta o controle e a supervisão individualizada. O efetivo da unidade somando a base de escolta é de 148 agentes, enquanto a base de escolta tem aproximadamente 70 profissionais. Essa distribuição insuficiente de recursos humanos deixa claro que o sistema penitenciário paulista enfrenta uma crise estrutural que vai muito além de um caso isolado de fuga. 


A Polícia Militar fez as buscas pelos três detentos foragidos, com apoio aéreo do Águia, mas eles não haviam sido recapturados até a tarde desta quarta-feira.